Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha
A Secretaria de Estado da Criança e Assuntos da Família (Secri) oficializou ontem o repasse de R$ 32.500,00 para a Associação da Criança e Adolescente de Londrina (Acalon). Essa verba faz parte de um convênio firmado entre os dois órgãos e a prefeitura para o pagamento das dívidas contraídas pela Associação no ano passado, que é mantenedora da Escola Oficina.
De acordo com a presidente da Acalon, Leozita Baggio Vieira, a prefeitura se comprometeu a completar esta semana a mesma quantia que a Secri. Em dezembro, ela já enviou à Acalon R$ 7.188,00 dos quais R$ 3 mil já estavam previstos para a alimentação do Projeto José Belinati. Na verdade, o déficit da Acalon em 99 chegava a R$ 91 mil, mas a produção da Escola Oficina reduziu o montante para R$ 65 mil.
Leozita disse que a crise se instalou quando o governo estadual diminuiu de 100% para 30% o repasse de verba destinada à manutenção da instituição. ‘‘Se não recebermos ajuda do poder público e sociedade seremos obrigados a fechar as portas em breve’’. No próximo dia 17, a diretoria da Associação se reúne com empresários e artistas da cidade a fim de discutir campanhas para arrecadação de fundos.
Este ano, o governo do Estado deve enviar àa Acalon R$ 60 mil divididos em seis parcelas de R$ 10 mil. Mesmo assim, Leozita disse que ainda vai faltar R$ 8 mil para cobrir os R$ 37 mil de despesas mensais.
No mês passado, a Secri sugeriu a Acalon a auto-gestão da Escola Oficina. Segundo a chefe regional da Secretaria, Nádia Oliveira de Moura, uma das alternativas seria a criação de uma oficina de costura e a oferta do serviço de cabelereiro ao público. ‘‘Podemos fornecer equipamentos e mão-de-obra especializada para fomentar o programa de geração de renda’’, disse Nádia.
Atualmente, a Acalon arrecada R$ 17 mil por mês com a produção de pães, lavanderia, horta e artesanato. Estes produtos são consumidos e vendidos na sede da Associação. ‘‘Parte dos 100 mil pães fabricados todos os meses são comercializados com a prefeitura e outros órgãos públicos’’, disse Leozita.
Mesmo assim, ela garante que a auto-gestão numa instituição nos moldes da Escola Oficina é impossível. De acordo com Leozita, a despesa com o atendimento integral às 130 crianças e adolescentes é muito grande e só poderia ser auto-sustentável se os alunos tivessem o trabalho como única atividade.
‘‘A diferença da nossa instituição com outras é que pretendemos recuperar o jovem pelo trabalho e não para o trabalho. Se a geração de renda fosse a prioridade não teríamos condições de oferecer a elas estudo, atendimento médico e odontológico, atividades educativas e psicopedagógicas’’, afirmou Leozita.
A Acalon completa sete anos em abril e sua função é recuperar menores entre os 7 e 17 anos vítimas da pobreza extrema, prostituição, mendicância, abuso sexual e outras situações de risco.

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