Futuro do estabelecimento depende ainda de reunião com a Secri agendada para o dia 9
Josoé de CarvalhoCrianças e adolescentes atendidos pela Escola Oficina: 80% de retorno após a paralisação de 13 dias


Lino Ramos
De Londrina



A Escola Oficina de Londrina viveu um dia tranquilo ontem com a retomada das atividades pedagógicas, após duas semanas de paralisação por falta de dinheiro. Mas a Casa de Convivência, local onde novos alunos passam por um período de adaptação antes de serem integrados às oficinas, permanece fechada.
Na avaliação da coordenadora geral da unidade, Maria das Mercês Peixoto, 80% dos alunos retornaram ontem à escola porque houve um ‘‘mutirão’’ para avisar as famílias sobre a volta das atividades. Há 13 dias, antes da paralisação, a Escola Oficina estava atendendo 138 alunos de sete a 17 anos.
Mantida pela Associação da Criança e Adolescente de Londrina (Acalon), o futuro da escola não está garantido porque a Secretaria de Estado da Criança e Assuntos da Família (Secri) não fechou proposta com a instituição. No próximo dia 9, a presidente da Acalon, Leozita Baggio Vieira, estará em Curitiba para uma reunião com técnicos da Secri. ‘‘Eles afirmam que têm coordenadorias que podem ajudar a escola a se tornar auto-sustentável. Vamos ouví-los para saber o que é possível fazer’’, adiantou Leozita.
Neste ano, o Instituto de Assistência Social do Paraná (Iasp) repassou mensalmente R$ 4.770 à instituição, mas segundo Leozita, para o ano 2000 a escola precisará de R$ 460 mil, dos quais 60% devem ser cobertos pelo rendimento das oficinas, como a lavanderia e padaria. Segundo o diretor-geral da Secri, Murilo Campelli, a proposta da Secretaria é tornar a Escola Oficina uma instituição auto-sustentável no ano que vem.
De volta Duas semanas sem atividades pedagógicas foram um convite para a volta às aventuras do mundo da rua. J.C.S. tem 16 anos e foi matriculado na escola há quatro anos, onde tem aprendido a trabalhar nas oficinas de padaria, cozinha e lavanderia. Ele mora com a mãe, o padrasto e a irmã no Jardim Bandeirantes (zona oeste) e atualmente a família tira o sustento da pensão deixada por seu pai. ‘‘Nesses 13 dias só fiz coisa errada e quase fui preso furtando um mercado’’, revelou.
C.S.S., 15 anos, do Jardim Olímpico (zona oeste), está há um ano na escola e alega que no período em que ficou sem aula permanceu em casa ajudando a mãe. Porém, lembra que há um ano a rua era sua moradia favorita.
F.V.J., 16 anos, morador no Jardim Novo Perobal, frequenta a Escola Oficina há dois anos e conta que nas duas semanas em que a instituição permanceu fechada ficou em casa ajudando a mãe com as tarefas de casa, como lavar a roupa e a louça. Antes o adolescente trabalhava ‘‘tocando vaca’’ numa fazenda próxima ao bairro onde mora sua família.

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