Milton DóriaDia cheioNa escola, além do ensino regular, alunos recebem atendimento psicossocial e têm inúmeras atividades A Escola Oficina está lançando uma campanha para arrecadar contribuições da comunidade e manter a qualidade do serviço prestado para as crianças e adolescentes carentes de Londrina. As doações serão feitas através de descontos mensais na conta telefônica. O acerto já foi feito entre a entidade e a Sercomtel e as pessoas interessadas em ajudar deverão preencher um cupom, que está sendo distribuído pela Escola, autorizando o débito de qualquer quantia via empresa telefônica, durante um ano.
Com a campanha, a Associação da Criança e Adolescente de Londrina (Acalon), mantenedora da Escola Oficina, espera arrecadar entre R$ 5 mil e R$ 8 mil mensais.
Os valores correspondem a aproximadamente 10% das despesas da entidade, quantia que os coordenadores costumam arrecadar com a ajuda da ‘‘providência divina’’, como diz o coordenador geral da Escola Oficina, Márcio de Jesus Filla. Esta arrecadação vem através de vendas de pizzas e outras promoções.
Através da contribuição via Sercomtel, os coordenadores querem dar um tempo nestas promoções, que consomem quase todo o tempo de folga do pessoal que trabalha no lugar. A idéia também visa manter a filosofia pedagógica da Escola Oficina. ‘‘Nós poderíamos aumentar a produção das oficinas. Mas isso não é o objetivo de nosso trabalho de educação’’, revela Silvio Ribeiro, coordenador das oficinas.
A Escola Oficina está localizada no conjunto João Paz (zona norte) e atende 135 crianças e adolescentes entre sete e 18 anos. Os alunos são ex-menores de rua, crianças em situação de risco ou carentes. Além das crianças e adolescentes já integradas à Escola, há 15 menores na Casa de Convivência. Trata-se de um local criado pela Acalon, localizado no conjunto Violin (zona norte) e que funciona como um centro de adaptação ao sistema de trabalho da Escola Oficina.
Cerca de 95% dos alunos moram com a família, enquanto que o restante reside nas casas-abrigo da Prefeitura. Márcio Filla explica que uma das principais ações do pessoal da Acalon é tentar a reintegração das crianças à família, caso sejam menores que vivem na rua.
Na entidade, as crianças têm ensino regular de 1ª à 4ª série, recebem atendimento psicossocial e participam de inúmeras atividades. Os maiores de 14 anos frequentam os cursos de padeiro, cabeleireiro, costura industrial, cozinha, lavanderia, horta, serigrafia, marcenaria, artes e datilografia - que em breve deverá ser transformada em oficina de informática.
Os menores de 14 anos passam por escolinhas especiais, como Hora da Biblioteca, Hora do Conto, Oficina do Sentimento, Oficina de Jogos, Escolinhas de Natação, Vôlei, Ginástica, Educação Artística, Culinária e Horta.
Aqueles que estudam na Escola Oficina ou em outros colégios no período noturno passam o dia todo no lugar - chegam às 7h30 e vão embora às 17 horas. Quem estuda em outros colégios, no período diurno, fica meio período na Escola Oficina.
No ano que vem, a entidade pretende implantar também o ensino de 5ª série. Márcio de Jesus Filla lembra que as crianças que frequentam a entidade devem estar matriculadas no ensino regular.
A Escola Oficina foi fundada há quatro anos e sobrevive principalmente dos serviços oferecidos à comunidade. A padaria é o carro-chefe, diz o coordenador geral, produzindo diariamente cinco mil pães que abastecem a Universidade Estadual de Londrina (UEL), a Prefeitura, empresas Grande Londrina e ZKF. Ele lembra que 60% dos recursos da Escola Oficina são gerados pela própria entidade que, além da padaria, ainda oferece serviços de lavanderia, costura e fornecimento de marmitex. O restante, 30% são recursos da Prefeitura e 10% a entidade espera arrecadar com a campanha junto à Sercomtel.
Dos estudantes da Escola Oficina, Danilo da Silva, 14 anos, é um dos mais animados. Na entidade há um ano e meio, ele diz que gosta ‘‘de tudo’’. Está na 3ª série, já passou pelos cursos na padaria, lavanderia e limpeza e fica triste quando passa uma semana sem ir para a Escola (feriados de final de ano). ‘‘Eu chego pela manhã, tomo banho, café, almoço. Tem futebol e natação. É muito melhor do que ficar na rua.’’
Serviço - Os cupons que autorizam a contribuição via débito em conta telefônica podem ser retirados, a partir de hoje, na Floricultura Pra Você, na Rua Pernambuco, 230, na portaria da Folha de Londrina, à rua Piuaí, 241 (ambos no centro) e na Escola Oficina, Rua Abílio Justiniano de Queiroz, s/n, conjunto João Paz. Mais informações pelo fone (043) 330-3861.

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