Érika Pelegrino
De Londrina
As 138 crianças e adolescentes com idades entre sete e 18 anos que são atendidas pela Escola Oficina, localizada no Conjunto João Paz (zona norte de Londrina) correm o risco de estar de volta às ruas e os 30 funcionários podem estar desempregados até o final do ano. ‘‘Estes menores estarão de volta nas ruas de seus bairros, nos sinaleiros da cidade’’, afirmou a coordenadora da escola, Maria das Mercês Peixoto.
As atividades da escola estão interrompidas desde ontem. E só serão retomadas quando as negociações entre a Secretaria do Estado da Criança e Assuntos de Família (Secri) e a Associação da Criança e do Adolescente de Londrina (Acalon) – entidade mantenedora da escola –, forem consideradas satisfatórias.
A crise da escola chegou em seu auge porque a Secri não renovou este ano um dos convênios feitos com a Acalon, que visava o repasse de R$ 91 mil para o pagamento de funcionários, e não pretende renová-lo também no próximo ano. Apenas o convênio para o repasse de R$ 4.789,00 mensais foi renovado e vence em 31 de dezembro.
Mercês Peixoto explicou que a escola se manteve com recursos próprios e através de promoções conseguindo levantar R$ 30 mil, mas precisa de R$ 65 mil para fechar o ano. A contraproposta do Estado, segundo a presidente da Acalon, Leozita Baggio Vieira, foi de repassar R$ 20 mil, o que não é suficiente para fechar o ano.
Em reunião realizada ontem na Escola Oficina, segundo Leozita Vieira, o diretor-geral da Secri, Murilo Campelli, se comprometeu a negociar em Curitiba, na tentativa de ampliar o valor deste repasse. Campelli prometeu também, segundo ela, tentar garantir o repasse do valor integral do convênio para o próximo ano, em caráter especial até que a escola consiga encontrar alternativas para se manter sem este recurso.
A manutenção da escola é feita com 40% de recursos do Estado, sendo que 60% são conseguidos através da própria escola e de convênio com a prefeitura. Segundo Leozita Vieira, até que o diretor-geral da Secri dê uma resposta sobre as negociações em Curitiba, as atividades da escola continuarão interrompidas. Estarão funcionando somente a lavanderia e a padaria, mas apenas com funcionários.
Se a resposta for negativa, segundo a presidente da Acalon, não haverá outra alternativa a não ser fechar as portas da escola no final do ano. Enquanto aguardam os resultados das negociações, funcionários, alunos e coordenadores do estabelecimento estão se movimentando na tentativa de sensibilizar o poder público e a comunidade. Ontem foi entregue documento ao prefeito Antonio Belinati (PFL), à promotoria da Vara da Infância e da Juventude e à Câmara de Vereadores explicando os motivos da paralisação das atividades.
Hoje os pais dos alunos estarão em reunião com a coordenação da escola para que sejam esclarecidos sobre o que está acontecendo. Amanhã, às 9h30, alunos e funcionários estarão no Calçadão (área central) fazendo um protesto. A promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina Maria Silva de Paula, afirmou que está tentando solucionar o problema amigavelmente. Mas se não for possível, irá acionar os meios judiciais cabíveis no caso.
Segundo a chefe regional da Secri em Londrina, Nádia Oliveira de Moura, o Estado não quer renovar o convênio visando a auto-sustentação da escola. ‘‘A Escola Oficina de Londrina é a única que funciona nestes moldes. Todas as outras unidades no Estado são auto-sustentáveis’’.
Leozita Vieira explicou que isto implicaria na transformação da escola em uma empresa, comprometendo seu caráter pedagógico. A presidente da Acalon afirma que foram buscadas outras alternativas.Direção condiciona retomada do atendimento às crianças e adolescentes ao repasse de recursos pelo governo do Estado
Josoé de CarvalhoPROTESTOFuncionários, professores e crianças atendidas pela escola foram até o Calçadão expor a situação: 138 crianças ameaçadas de voltar às ruas

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