Silvana Leão
De Londrina
A Escola Oficina de Londrina, localizada no Conjunto João Paz (zona norte), corre o risco de encerrar as atividades nos próximos meses. O problema é o mesmo que vem ameaçando a entidade já há algum tempo: o não-repasse de verbas por parte do governo do Estado. No final do mês de agosto, a escola recebeu as duas últimas parcelas referentes a um dos convênios firmados em 1998 com a Secretaria de Estado da Criança e Assuntos de Família (Secri).
Os recursos advindos deste convênio (R$ 91 mil no ano) eram utilizados para quitar 70% da folha de pagamento da Escola Oficina. Os outros 30% eram pagos com os recursos de outro convênio, feito através do Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp). Este ano, porém, só foram mantidas as verbas repassadas pelo Iasp. Para conseguir pagar os 35 funcionários, a entidade está utilizando o dinheiro obtido através de serviços prestados à comunidade pelas várias oficinas (lavanderia, padaria, artes e costura, entre outras).
A coordenadora-geral da Escola Oficina, Maria das Mercês Peixoto, explica, porém, que estes recursos gerados internamente deveriam ser destinados à manutenção da escola, que hoje não vem sendo feita. ‘‘Estamos precisando comprar lâmpadas, mas não posso comprometer o pagamento dos funcionários’’, explica a coordenadora.
Maria das Mercês observa ainda que o aspecto pedagógico da entidade não pode ser esquecido. ‘‘As oficinas já estão trabalhando no seu limite máximo, não há mais de onde tirar recursos.’’ Segundo ela, a entidade é a única do município que atende crianças e adolescentes em situação de risco social, como os envolvidos com drogas e infratores. São 150 alunos, de todas as regiões de Londrina, que passam o dia na entidade desenvolvendo diversas atividades.
‘‘É uma situação muito difícil, porque não temos tranquilidade para trabalhar. A gente nunca sabe o que vai acontecer no próximo ano, se vamos estar empregados. E também não temos segurança para administrar os recursos, ficamos com medo de comprar equipamentos necessários e depois faltar dinheiro’’, exemplifica o coordenador-pedagógico Sílvio Ribeiro.
De acordo com a coordenadora dos Programas de Atenção à Criança e ao Adolescente da Secri, Maria de Lourdes San Roman, as verbas repassadas diretamente pela eecretaria foram suspensas por total falta de recursos. ‘‘A questão está muito séria’’, definiu. Segundo ela, o Estado possui várias escolas-oficinas e a de Londrina é a única que continua recebendo verbas através do Iasp. Maria de Lourdes afirmou que este convênio só continua existindo a pedido da vice-governadora Emília Belinati.
‘‘As escolas-oficinas foram criadas pelo Estado mas instituídas com gestão e administração municipal. Todas as outras existentes no Paraná vêm funcionando com recursos próprios e das prefeituras’’, afirmou Maria de Lourdes.
A secretária de Ação Social do município, Marisa Goethel do Nascimento, explicou que a Escola Oficina tem, desde o início, um contrato de gestão com a prefeitura, através do qual são repassados mensalmente R$ 7.188,00, que a entidade tem autonomia para aplicar onde achar melhor. Segundo a secretária, como a escola era um projeto desenvolvido em parceria com o governo do Estado, não está dentro da previsão orçamentária do município aumentar o valor dos recursos.

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