Escola Oficina deixa de receber alunos
Lucilia Okamura
De Londrina
A partir de hoje, a Escola Oficina de Londrina não está mais recebendo novos alunos. Reflexo da crise financeira que vem enfrentando há vários meses, a escola teve que fechar ontem a Casa de Convivência, onde os educandos passam por uma período de adaptação antes de começar a estudar.
A Casa de Convivência é considerada a porta de entrada da Escola Oficina e por lá passam crianças e adolescentes encaminhados pela prefeitura, Ministério Público e Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi). Na casa, os educandos criam vínculos sociais necessários e recebem atendimentos mais urgentes, explicou o educador da escola, Silvio Ribeiro. Um menino detido no Ciaadi não pode ir direto para a escola, exemplificou.
Segundo o educador, o período de adaptação é de, no mínimo, 45 dias. Já tivemos meninos que ficaram um ano e três meses porque respeitamos o ritmo e o querer do educando, mas sem deixar de lado os limites, observou. A casa atende, no máximo, 15 alunos por vez e fica no Conjunto Violin (zona norte).
Os últimos nove alunos participaram de algumas atividades ontem de manhã e à tarde seriam encaminhados para a Escola Oficina para se juntar as 138 crianças e adolescentes que estão sendo atendidos atualmente.
Seguramos até o limite, mas agora não temos mais condições de receber novos alunos para não baixar a qualidade, desde a alimentação até o atendimento, explicou Silvio Ribeiro. A escola atende alunos carentes de sete a 17 anos, oferecendo ensino de primeiro grau e cursos nas várias oficinas, como padaria e costura.
Os problemas financeiros da escola vêm se agravando a cada mês por falta de repasse de verbas do governo do Estado. Um convênio, mantido até o ano passado, previa o repasse de R$ 91 mil anuais, mas até agora ele não foi renovado. O Governo do Estado alega falta de recursos. O educador informou que sem o convênio, a situação ficará muito complicada no final do ano, quando será preciso pagar o 13º salário aos 38 funcionários. O déficit deverá chegar a R$ 30 mil ou R$ 40 mil no final do ano, observou.
Sílvio Ribeiro explicou que o custo de cada criança é R$ 245,00, sendo que 60% dos gastos são cobertos com atividades da própria escola uso da lavanderia e confecção de pães. O restante fica na dependência de outros recursos. Não temos condições de aumentar a produção nas nossas oficinas porque iríamos desvirtuar o trablaho de educação, transformando a padaria, por exemplo, em uma microempresa, ressaltou.
A presidente da Associação da Criança e do Adolescente de Londrina (Acalon) entidade mantenedora da escola , Leozita Baggio Vieira, está em Curitiba tentando manter contatos com o governo do Estado para solucionar o problema.





