A dona-de-casa Silvia Almeida Kutse mal conseguia andar por causa de uma micose nas unhas. Depois de iniciar um tratamento com as podólogas do curso profissionalizante da Escola Filadélfia, as caminhadas com as amigas da terceira idade nunca foram tão relaxantes.
''Há anos não conseguia pisar com o pé inteiro no chão. A pedicure ou até eu mesma eliminava o olho de peixe com alicate e dali três dias ele nascia de novo'', contou a dona-de-casa, que há dois anos faz tratamento com dermatologista para curar as calosidades nas solas dos pés. ''Tive uma melhora maravilhosa depois que passei a tratar com as podólogas'', afirmou Silvia.
Até hoje ela só passou por duas consultas com as alunas da escola técnica do Jardim Califórnia, diferente da bloquista Vani Silva Ferreira, que já tratou as unhas encravadas no laboratório de podologia da Escola Filadélfia cinco vezes.
A podóloga Cinthia Belo, responsável pelo laboratório, conta que em dois meses de tratamento, a anatomia da unha da paciente mudou completamente. ''Antes era afunilada, hoje já está quadrada, como deve ser.''
Vani relatou que nem ela, nem a pedicure acertavam o corte da unha, por isso a unha estava sempre encravada. ''Usava pomadas, remédios caseiros, mas ficava sempre infeccionando.''
Por indicação de amigos, ela trocou uma consulta com um médico de um posto de saúde pelas sessões com as podólogas e já repassou a dica para a família e para os amigos da igreja. ''Eu moro em frente ao Aeroporto e não sabia que existia este lugar, mas minhas irmãs vêm lá do Estádio do Café para fazer as unhas aqui.''
Para colocar em prática o que aprendem no curso, as alunas oferecem tratamentos gratuitos à comunidade em geral. Segundo a diretora pedagógica da Escola Filadélfia, Tatiana Rezende Menan, há dificuldade em encontrar voluntários dispostos a tratar problemas mais graves com as estudantes. ''Atendemos mais casos de higienização'', disse.
Segundo a podóloga Cinthia Belo, entre março do ano passado até o início de junho, foram atendidas 389 pessoas no laboratório de podologia; deste total, apenas 20% eram homens. Entre os males tratados, 78 unhas encravadas, 69 calosidades, 58 micoses na unha, 37 pés diabéticos e 20 unhas infeccionadas.
''Os males nos pés podem acontecer pelo uso de sapatos apertados, corte incorreto da unha e até por hereditariedade'', explicou a podóloga. Conforme ela, o laboratório tem capacidade para atender, de graça, nove pessoas por hora e os horários são marcados previamente.
''Ocasionalmente é cobrada uma taxa de R$ 5 para quem pode colaborar com a compra dos materiais para a higienização'', completou Tatiana Menan. Segundo ela, o curso de podologia é pioneiro no Paraná, onde também é oferecido em Curitiba e Pato Branco. ''Uma das reivindicações da classe é a regularização da profissão, que ainda não é reconhecida'', assinalou.

Serviço- Voluntários para tratamento gratuito dos pés podem entrar em contato com o laboratório de podologia da Escola Filadélfia pelo telefone (43) 3027-1100.

mockup