Escola Municipal Pedro Vergara completa 30 anos
Localizada na conjunto Mister Thomas, instituição é referência na comunidade da zona leste de Londrina
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de julho de 2019
Localizada na conjunto Mister Thomas, instituição é referência na comunidade da zona leste de Londrina
Pedro Marconi - Grupo Folha 

A localização da Escola Municipal Pedro Vergara Correa, no alto do conjunto habitacional Mister Thomas, região leste de Londrina, diz muito do que ela representa na vida da comunidade e o que tem buscado ao longo dos anos: ser uma instituição de ponta. Este sentimento é perceptível no clima e prédio da unidade, que em julho completa 30 décadas de história. A comemoração vem ocorrendo desde o início do ano.
O decreto que autorizou a construção da escola foi assinado em dezembro de 1988, com o estabelecimento de ensino entrando em funcionamento em janeiro. Ainda sem estrutura própria, as aulas eram ministradas nas dependência do Colégio Estadual Carlos de Almeida e no centro comunitário da igreja católica do bairro. A inauguração oficial foi em 4 de julho de 1989, onde funciona até hoje, mas contava apenas com quatro salas para os alunos e uma quinta que abrigava a secretaria e direção.
Com pouco espaço e muitos estudantes, os períodos eram divididos em manhã, intermediário e vespertino para dar conta da demanda. “Não tinha quadra. A escola era nova, mas bem limitada, com um grande terreno no entorno do que foi edificado. Só tinha o Mister Thomas, nem o conjunto Jesualdo Garcia Pessoa existia ainda”, relembra Maria Dirce Melo Barraviera, primeira professora de educação física da instituição, lugar em que iniciou como docente e se aposentou, totalizando 25 anos de atuação.

Em 1994 a escola passou a oferecer EJA (Edução de Jovens e Adultos) e dois anos depois encerrou o intermediário, quando foi ampliada. A quadra foi edificada no anos 2000, entretanto não foi utilizado por pelo menos três anos por falta de segurança, já que não contava com cobertura e muros. “Quando cheguei era um problema a educação física, porque não tínhamos espaço e utilizávamos a rua. Porém soltava a bola aqui e ela ia parar quase no lago. Os alunos mais corriam atrás da bola do que participavam efetivamente da aula”, conta com bom humor Barraviera.
Primeira e única unidade municipal do Mister Thomas e adjacências, oferecia como projetos extracurriculares xadrez, canto e dança. “Em volta do terreno tinham pés de café e muitas árvores e mato. Ao lado da salas o pátio era de pedriscos e quando fazíamos festas levantava aquele poeirão. Era desgastante, mas tínhamos um suporte grande para ir melhorando”, destaca Doraci de Paula Nadalin, primeira diretora da escola.

ENVOLVIMENTO
A atual diretora Simonia Aparecida de Oliveira ressalta o envolvimento e doação de todos os profissionais, formando um laço de família. “Nos vemos aqui como familiares. As mais antigas foram saindo, chegaram pessoas novas, e foi entrando no mesmo ritmo, como um legado. As professoras que estão aposentadas continuam participando ativamente do dia a dia da escola”, aponta.
“Quando vamos planejar algo às vezes olhamos e vemos que é muita coisa, porém sabemos que damos conta. Existe uma união e temos ciência que podemos contar com a equipe, trazemos a proposta e agregam. Passamos muito tempo na escola, então precisamos ter um ambiente agradável, de amizade, alegre. Isso contagia as crianças”, elenca Hélvia Cristiane de Oliveira Machado, coordenadora pedagógica.
Com tantos anos de história, a instituição já registra casos de ex-alunos que trazem seus filhos e até de pessoas que foram estudantes e estão retornando para trabalhar. “É muito bacana os pais chegarem e confiarem os filhos deles para nós. Nos enche de orgulho”, alegra-se Célia Aparecida de Souza, professora há 24 anos no local. “Há alguns dias um pai veio me falar que a filha queria reprovar o quinto ano porque não queria sair daqui. Têm crianças que quando vão para outra unidade acabam retornando, pois não se adaptam e gostam do Pedro Vergara”, completa Maria José Beltrani Silva, há 20 anos na escola e auxiliando na secretaria.
FESTA
A celebração dos 30 anos da instituição foi transformada numa grande homenagem ao patrono e aqueles que fizeram e fazem parte da trajetória. A vida de Pedro Vergara foi contada por meio de vídeo e nas disciplinas os alunos fizeram releituras de sua imagem com técnicas educacionais, poesias a partir de sua vida, além de outras ações que uniram o tema proposto e a prática pedagógica. Também foram promovidos concursos para escolha de bandeira e mascote, sendo que foi adotado para este último a representação de um jornal enrolado, já que o patrono foi um jornalista.
No início do mês, na data do aniversário a escola, foi realizada uma grande comemoração, que reuniu comunidade, alunos, primeira turma de formandos e professores antigos e atuais para exposição de trabalhos e apresentações artísticas. Familiares de Pedro Vergara estiveram presentes.
IDEB
Atendendo cerca de 360 alunos dos ensinos infantil, fundamental e EJA (Educação de Jovens e Adultos), dos bairros Mister Thomas, Eucaliptos, Parque das Indústrias Leves e Jesualdo Garcia Pessoa, a escola dispõe dos turnos da manhã, tarde e noite, e conta com sete salas aulas, biblioteca, pátio e espaço para professores. São 36 docentes. O último Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) da instituição, referente a 2017, foi 7,3. O do município é 6,8.

A direção tem como meta a construção de uma sala de informática e a colocação de telas de sombreamento em alguns espaços. “Temos um lugar que chegou a ser construído para sala de informática, mas não tinha estrutura para fiação e não deu certo. Hoje esse local é utilizado como sala de aula, porque temos uma demanda maior que podemos oferecer. O sombrite também é um projeto”, explica a diretora.
Honrados por tudo o que conquistaram até aqui e cheios de esperança para continuar escrevendo esta história, os professores esperam um futuro ainda melhor. “Com mais participação da comunidade e que continuemos crescendo com entusiasmo”, deseja Ana Maria Buranello, há 24 anos no estabelecimento de ensino e atualmente auxiliar de direção e bibliotecária. “Que cada vez mais toda formação que oferecemos seja de excelência, pois esse é nosso objetivo maior, com o aluno sempre em primeiro lugar”, pontua Hélvia Machado.
Mesmo fora da unidade, Doraci de Paula Nadalin classifica a escola como de grande valor em sua vida. “Aprendi muito aqui e em todos os sentidos. Sempre tratei todos bem e com respeito e assim deve ser. É lindo poder participar da vida da criança, pois melhor que receber é compartilhar. O que fica só com a gente não cresce.”
ADVOGADO, JORNALISTA
E AMBIENTALISTA
Advogado de formação, jornalista de atuação e ecologista como paixão, Pedro Vergara Correa nasceu no Rio Grande do Sul, em 1913. Concluiu a faculdade de direito aos 19 anos e com a pouca idade e experiência para ingressar na área que estudou, entrou na comunicação por acaso, após ser convidado pelo tio para ser auxiliar de redação no jornal que trabalhava.
Mudou-se para Santa Catarina em 1943, ingressando para a política, sendo eleito vereador em Criciúma. No estado também fundou um jornal, onde escrevia, editava e ia em busca da impressão. Poucos anos depois veio para Londrina, “seduzido” pelo novo e pelo desenvolvimento de um Norte do Paraná em expansão.
Na segunda maior cidade do Estado articulou a criação da Associação dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil, iniciando em seguida o semanário Correio Paranaense. Neste período também passou a escrever artigos para a Folha de Londrina, veículo em que acabou contratado após fechar seu próprio negócio. Na FOLHA foi responsável pelos noticiários nacional e internacional, permanecendo no jornal por 19 anos. Ao longo da vida também advogou.
Proprietário de uma chácara na saída para Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), tornou-se ecologista tamanho seu carinho pela natureza. Adorava plantar araucária, árvore símbolo do Paraná. Em entrevista à FOLHA, em 1983, disse que o “jornalismo tem que ser firme, corajoso, verdadeiro e defensor da moralidade”. Morreu em 1989 atropelado por uma motocicleta no centro de Londrina. Dias depois foi nomeado patrono da escola que leva seu nome na zona leste da cidade.



