Escola integra deficientes há seis anos
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quarta-feira, 19 de março de 1997
Luka Morais 
Mário CésarVida normalAlunos na sala de aula: necessidade de serem estimulados para desenvolver todo o seu potencialO Ministério da Educação tenta, através de campanha publicitária veiculada pela TV, conscientizar a população sobre a necessidade de integrar os portadores de deficiências à rede escolar. Em Londrina, essa integração acontece há mais seis anos, num trabalho pioneiro desenvolvido feito por uma escola que, ao promover a integração entre as turmas do ensino regular com as classes especiais, põe fim também ao grande problema da discriminação. Todos se beneficiam porque seja na brincadeira no parque, nos acampamentos, nas atividades e festividades da escola, podem mostrar o que são capazes de fazer, destaca a psicóloga escolar Sandra Mara dos Santos Bazzoni.
Coordenadora das classes especiais da Escola Vagalume - educação infantil e ensino de 1º grau -, a psicóloga conta que a idéia de propiciar um ensino especial surgiu da necessidade de atender crianças que, ao entrarem na fase de alfabetização, não conseguiam acompanhar o restante da classe. Segundo Sandra Bazzoni, a limitação causada por deficiências mentais leves - algumas decorrentes de problemas genéticos, como a Síndrome de Down, distúrbios neurológicos e emocionais -, é vencida através de um trabalho mais individualizado.
Conforme Sandra Bazzoni, até o fase pré-escolar o portador de necessidades especiais não enfrenta problemas já que o objetivo principal da educação infantil é o trabalho de integração e socialização. É no início da alfabetização, que a criança encontra as barreiras. Se não receberem a estimulação necessária elas vão ficando para trás, vão regredindo e aí surge a frustração por não acompanhar os colegas, diz a psicóloga.
Mário CésarEtapa vencidaDalva Pereira e a filha Fabiane, do último ano: agora, a tristeza por ter de deixar a escola
Diagnosticar rapidamente o problema, explica Sandra Bazzoni, para evitar essa frustração e iniciar o atendimento especializado, respeitando o potencial de cada um, são fundamentais ao desenvolvimento da criança. Ela alerta os pais já que, segundo afirma, na rede pública o portador de necessidades especiais só é encaminhado para as classes especiais depois de enfrentar três reprovações. Os pais precisam buscar hipóteses, já na primeira reprovação, porque pode ser um problema de imaturidade mas também um distúrbio que requer atendimento mais adequado.
Para alcançar resultados desejados, explica a coordenadora, são montadas turmas reduzidas, com no máximo oito alunos por sala. Temos permissão para até 10 crianças em cada classe mas isso é impossível. Não dá para fazer um trabalho de qualidade com muitos alunos. Os professores possuem especialização na área e são supervisionados pela psicóloga. A escola Vagalume possui três classes especiais e atende apenas portadores de deficiências mentais leves, identificadas através de exames feitos por uma pedagoga e uma psicóloga.
O custo para manter essa estrutura, segundo a diretora da escola, Sílvia Cruciol, é o principal empecilho para a expansão das classes especiais na rede particular. Algumas escolas da cidade, diz ela, mantém portadores de necessidades especiais junto às turmas regulares. Sílvia Cruciol destaca a importância das classes específicas já que o ritmo de aprendizagem dessas crianças é diferente. Ao mesmo tempo, enfatiza a importância da integração nas demais atividades da escola. Com isso, as outras crianças aprendem a conviver com elas. Fazemos um trabalho de sensibilização para acabar com a idéia de coitadinho, de que não pode fazer nada.
Matriculada há quatro anos, Fabiana Pereira, 15 anos, se prepara para deixar a Escola Vagalume. Ela conclui a quarta série este ano. A mãe de Fabiane, a dentista Dalva Pereira, revela que o fato de sua filha vencer mais uma etapa traz uma grande preocupação. Ela mesma já comentou comigo dizendo que está triste por ter que deixar o colégio, conta. A escola tem autorização para atender até a 4º série do 1º grau. Ficamos angustiados porque sabemos que essas crianças têm potencial para crescer muito mais, lamenta a psicóloga.


