As refeições servidas nas escolas públicas não costumam frequentar o ranking dos cardápios mais apreciados por crianças e adolescentes. É comum encontrar estudantes que preferem comprar lanches em cantinas a aproveitar os alimentos disponibilizados pelo governo do Estado. Entretanto, algumas iniciativas mostram que basta um pouco de criatividade para mudar essa situação.
Através de um questionário aplicado junto aos alunos, a direção de uma escola localizada na Zona Oeste de Londrina constatou que de um total de 400 estudantes do período matutino apenas 12 comiam a merenda. ''A maioria dos alunos afirmou que não aprova a merenda porque não gosta de comer sopa ou arroz, feijão e carne na hora dos intervalos, que acontecem às 10 e às 16 horas'', conta o diretor do Colégio Estudual Gabriel Martins, Ney Mezzadri.
A pesquisa foi realizada por um grupo de sete estagiários do curso de Nutrição da Unifil (Centro Universitário Filadélfia), que propôs uma solução. ''Verificamos os ingredientes que chegavam para a preparação da merenda e percebemos que seria possível preparar pratos saborosos introduzindo novas receitas'', afirma a nutricionista e professora da Unifil, Eliane Keily Garcia, que supervisionou o trabalho dos estagiários.
As mudanças foram testadas nesta semana pelos 400 alunos de 5 a 8 séries que estudam no período vespertino. Foram servidos tortas de frango, legumes, salsicha, banana, além de bolos e bolachas. ''Procuramos equilibrar alimentos de acordo com o sabor e o valor nutricional'', afirmou o estagiário do 5º ano do curso de nutrição da Unifil João Guilherme Gorini.
As novas receitas despertaram o paladar das crianças e adolescentes. ''Achei o lanche de hoje muito melhor do que nos outros dias. Sempre compro salgados na cantina, mas se fosse sempre assim nem precisaria gastar dinheiro'', afirmou Giuliano Barão Brancalion, 11 anos, estudante da 5 série. ''Está tudo gostoso e saudável'', elogiou João Paulo Nakanishi Filho, 11 anos, aluno da 5 série. ''Prefiro trazer lanche de casa porque não gosto da merenda da escola. Mas hoje está tudo muito gostoso. Tomara que seja sempre assim'', ressaltou Maria Eduarda Oliveira, 10 anos, estudante da 5 série.
O diretor da escola diz que pretende fazer uma nova pesquisa junto aos 800 alunos para verificar quais receitas eles mais gostaram e incluí-las no cardápio. A iniciativa ganhou aprovação da chefe do Núcleo Regional de Ensino em Londrina, Lúcia Cortez. ''É uma forma diferente de aproveitar os alimentos de qualidade que são entregues pelo governo do Estado, como enlatados de carne, frango, peixe, salsichas e outros. Pretendemos divulgar esse projeto para que outras escolas do Paraná também inovem seus cardápios'', enfatizou.

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