Bilboquê, carrinho de rolemã, estilingue, peão, bambolê e pipa brinquedos muito populares antes da era da diversão eletrônica estão entrando na vida das novas gerações através do ''Projeto Recreando a Tradição'', coordenado por seis professores do Colégio Estadual Polivalente, estabelecimento de ensino fundamental e médio localizado no Jardim Santa Rita, zona oeste de Londrina.
Na semana passada, uma exposição com 200 objetos antigos, a maioria brinquedos e peças de uso doméstico, deu início ao projeto multidisciplinar cujo objetivo é a recuperação de valores culturais através do resgate da memória lúdica dos antepassados. Painéis com reprodução em manuscritos de conversas das crianças com parentes idosos, onde está explicado em letras infantis como ''se brincava antigamente'', também compuseram a mostra.
A iniciativa deve prosseguir pelos próximos três meses e será concluída com a edição de uma revista sobre o tema no final do ano letivo. ''Nossa experiência pode ser adotada em toda rede pública'', garante o professor de história, Roberto César de Andrade, integrante da equipe de coordenação.
A escolha do tema ''Recreando a Tradição'', inserido no ''Vale Saber'', projeto de extensão oferecido pela Secretaria Estadual de Educação, está relacionado ao sucesso do jogo de bete, introduzido há um ano nas aulas de Educação Física pela professora Rosemary Coimbra Mezzadri. A proposta inovadora aumentou o interesse pelas aulas e diminuiu o número de faltas na disciplina. ''Eles se divertem e se exercitam muito mais com o bete do que com qualquer outro esporte'', compara. A experiência chamou atenção dos professores e da diretoria da escola, resultando na mobilização para se montar um projeto pedagógico extracurricular que foi aprovado em junho.
Cerca de 400 alunos, das turmas a partir da 5 série, saíram às ruas para angariarem objetos antigos, foram entrevistar os avós para conhecerem as brincadeiras das antigas gerações, pesquisaram a origem dos brinquedos e, após algumas aulas, passaram a confeccionar as peças. ''Muitos alunos aprenderam que um brinquedo não precisa ter tecnologia para encantar'', conta o professor de história.
Nos próximos dias 17 e 18 será a vez dos contos e ''causos'' que marcaram a infância dos pais e avós dos alunos do Polivalente. As histórias serão contadas pelos mais velhos aos alunos das 5 e 6 séries, que reproduzirão o conteúdo aos alunos das 7 e 8 , encarregados de ilustrar com desenhos e reescrever a história adaptada à realidade atual.
Após gincanas e ruas de recreio temáticas (com elementos do folclore) que ocorrerão em finais de semana do próximo mês, acontecerá um festival gastronômico com pratos típicos regionais e apresentações de dança com trajes típicos. Para encerrar, os alunos ajudarão no trabalho de edição da revista, que deve circular em dezembro.

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