Escola forma três professoras surdas
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quarta-feira, 26 de agosto de 1998
Osmani Costa 
No último dia 8, o Colégio Mãe de Deus de Londrina formou uma nova turma de 44 professores com habilitação em magistério, aptos a lecionar para crianças de 1ª a 4ª séries. Seria apenas mais uma formatura deste curso, que é oferecido pelo colégio desde a década de 70, não fosse por um importante detalhe: estavam recebendo certificado naquele dia as três primeiras professoras portadoras de deficiência auditiva na história da cidade.
O curso de magistério, com 2.128 horas de duração, foi desenvolvido nos meses de férias em um ano e meio, e não precisou sofrer grandes alterações para atender às três alunas especiais. Elas contaram com a ajuda dos colegas de classe, dos professores, e de intérpretes voluntárias que se dispuseram a acompanhar boa parte das aulas.
Marcos BorgesCleuza Camargo de Oliveira mostra o que aprendeu no cursoAs novas professoras são Andréia Cristina de Oliveira, 23 anos, Cleuza Camargo de Oliveira, 31 anos, e Helaine Cristina Dorthe Rampazzo Alves, 38 anos, casada, e mãe de dois filhos normais. Um fato interessante: a escola passou a oferecer vagas para as surdas porque foi procurada por elas. Esta nova experiência foi muito gratificante e teve resultados bastante bons. Certamente ela deve continuar e ser aperfeiçoada nas nossas próximas turmas, afirma a professora de literatura infantil e metodologia das ciências e da matemática, Silene Chimentão Punhagui.
As três professoras recentemente formadas escrevem e lêem com perfeição. Em consequência da surdez, elas desenvolveram também ao longo dos anos a capacidade para a leitura labial e para a comunicação gestual. Apesar de habilitadas para trabalhar com turmas de crianças normais sem ressalvas, elas contam - através de intérprete - que pretendem se dedicar à alfabetização de portadores de deficiências auditivas.
Passei por muitas dificuldades na época da aprendizagem, por falta de professores especializados. Por isto, pensei em estudar, em me capacitar, para um dia poder ajudar às crianças surdas nos estudos, comenta Cleuza de Oliveira. Estou muito feliz pelo Colégio Mãe de Deus nos ter dado esta oportunidade de aperfeiçoamento. Agora, me sinto preparada para desempenhar as funções do ensino; e pretendo trabalhar com turmas especiais no Instituto Londrinense de Educação de Surdos (Iles).
Andréia de Oliveira lembra que há anos pretendia cursar o magistério, mas que isto não era possível porque nenhum colégio da cidade oferecia vagas para surdos. As maiores dificuldades ocorreram em algumas aulas que não contaram com intérpretes; mas elas foram superadas com a paciência e dedicação dos professores, diz a nova professora, que também fez o curso com o objetivo de se preparar para ajudar as crianças portadoras de deficiências.
Silene Punhagui, que foi ainda a orientadora dos estágios para habilitação das três estudantes no Iles, ressalta que elas superaram as barreiras do preconceito e da comunicação e tiveram uma boa aprendizagem. Foi com muita emoção e alegria, que acompanhamos o desenvolvimento delas durante as quatro etapas do curso. Elas assimilaram muito bem todo o conteúdo, e estão preparadas para a profissão. E nós nos sentimos gratificadas por isto.


