Escola foi construída com madeira de demolição
Os alunos da Escola Municipal América Sabino Coimbra, localizada no Jardim Paulista (Zona Norte), diariamente vivenciam uma experiência que era comum na época em que os avós eram crianças: ao andarem pelo assoalho das salas de aula, sentem a trepidação do piso. Isso porque o colégio, construído em 1968, foi todo feito em madeira. ''Naquela época, já foi construída com madeira de demolição'', contou a diretora Marli Aparecida Guagnini Sander.
A última reforma data de 1972, quando foram construídas duas novas salas. Desde então, a arquitetura do prédio tem sido preservada. ''Quando assumi a direção, em 2002, não imaginava que ainda houvesse escolas de madeira'', contou Marli, que apesar da surpresa não estranhou o material. ''Passei a infância e a juventude na Zona Rural e estava acostumada.''
O mesmo não acontece com professores, alunos e fornecedores. ''Todo mundo estranha muito'' contou. A diretora antecipou que, apesar do saudosismo, espera com ansiedade a reconstrução da escola, que começará em 2012 num outro terreno. ''A estrutura antiga acaba atrapalhando. Tivemos que remanejar 12 computadores para outras instituições porque a fiação elétrica não suportaria a instalação. A biblioteca também está precária. Perdemos 40% do acervo por causa da chuva.''
Entre os alunos, a madeira incomoda menos que a falta de espaço. ''A madeira é forte, bonita. O que precisava ter aqui era uma quadra de esportes'', reivindicou Emanoel Cardoso Moraes, 12, que mora em uma casa de madeira construída pelo avô.
Maria Eduarda do Santos de Melo, 7, acha ''legal quando o piso da sala de aula balança.'' Na instituição desde o início do ano, ela disse que a prima mais velha achou diferente quando veio trazê-la no primeiro dia de aula. ''Depois, meu pai me contou que estudou aqui e a casa era do mesmo jeito''.(C.A.)





