Alunos e professores da Escola Estadual Doutor José Hosken de Novaes realizam amanhã uma exposição sobre os 40 anos da escola. O evento, preparado pelas últimas 38 crianças que terminarão a quarta série na instituição, é uma homenagem ao colégio que fechará as portas após quatro décadas de funcionamento no Jardim Bandeirantes, na Zona Oeste de Londrina.
As atividades curriculares encerram-se em 18 de dezembro. Até 31 de janeiro de 2009, o Estado tem que entregar o prédio à Associação Metodista de Assistência Social (Amas), proprietária do imóvel e que recebe mensalmente R$ 1,2 mil pelo aluguel. Em 1968, o prefeito Hosken de Novaes doou o prédio à entidade, que instalou um centro social no local. Dois anos depois, a escola foi transformada em instituição estadual para atendimento de 1 a 4º séries do ensino fundamental.
De acordo com a chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE), Márcia Lopes, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) de 1996 estabeleceu que compete ao município a oferta das quatro séries iniciais do ensino fundamental. ''Já havia essa orientação e, além disso, o prédio é particular. Como a procura por matrículas era pequena, iniciamos o processo de cessação em 2005'', explicou.
Há três anos, a escola deixou de oferecer a primeira série. No ano seguinte, suspendeu a segunda série e assim sucessivamente. Hoje, funcionam apenas duas turmas de quarta série. As crianças da região, conforme Márcia, passaram a ser encaminhadas para a Escola Municipal João XXIII e a estadual Kazuko Ohara, que ainda oferece as séries iniciais.
A diretora da Hosken de Novaes, Maria Ângela Leite, lembrou que em 2004 a comunidade fez um abaixo-assinado com 1,5 mil assinaturas reivindicando a municipalização da escola. ''Mas a prefeitura alega que há outras quatro escolas municipais na região que podem atender a demanda'', disse.
A secretária municipal de Educação em exercício, Silvana Aleixo Ferreira Ribeiro, confirmou que não existe possibilidade da prefeitura assumir a instituição. ''O prédio é alugado e existem quatro escolas próximas'', afirmou.
Para a diretora, que começou a dar aulas no colégio em 1994, o fechamento é motivo de tristeza. ''É uma escola tradicional que sempre contou com a participação ativa da comunidade. Todas as benfeitorias no prédio, incluindo o refeitório, foram feitas com verbas da APMF'', exemplificou. Os professores e funcionários que continuam trabalhando no local deverão ser transferidos para outros colégios no ano que vem.
a dona-de-casa Rafaela Camargo, de 24 anos, mantém relações afetivas com o Hosken de Novaes e lamenta o fim das atividades. ''Minha mãe estudou na escola e eu também. Esperava que minhas filhas também pudessem frequentar o colégio'', disse ela, entre recordações sobre o tempo em que a quadra era cercada por bananeiras, o chão era de terra e as crianças tomavam merenda no pátio porque não havia refeitório.
Rafaela conta também que o fechamento já causa reflexos na família. ''Meu sobrinho de 8 anos teve que ser matriculado na escola João XXIII, que fica do outro lado da Avenida Arthur Thomas. É um transtorno, porque minha avó de 65 anos tem que levá-lo todos os dias'', diz.
A exposição sobre a história da escola será amanhã, das 8h30 às 11h30. O NRE informou que, a partir do ano que vem, a documentação de ex-alunos da instituição estará disponível na Escola Estadual Kazuko Ohara.

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