Escola fecha; alunos protestam
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de janeiro de 1998
Lúcio Horta 
Milton DóriaRevoltaInsatisfeitos com as explicações, alunos prometem se mobilizar contra decisão do Núcleo de EducaçãoPais e alunos do Conjunto Maria Cecília, na zona norte de Londrina, estão revoltados com a decisão do Núcleo Regional de Ensino (NRE) de fechar a escola estadual Elias Abrahão, de 5ª a 8ª séries, que funciona no período da noite no mesmo prédio de uma escola municipal do bairro. O anúncio do fechamento da escola e os motivos foram dados anteontem à noite, no local, pela própria chefe do NRE, Maria Genoveva Belucci.
Insatisfeitos com as explicações do Núcleo, os alunos fariam ontem à noite um protesto, abaixo-assinado e também o que fosse necessário para manter a escola no bairro. Se precisar a gente vai falar com o prefeito, o presidente, até o Papa. O que não pode é simplesmente ir fechando a escola, afirma a estudante Débora Aparecida Amarante Bortolucci, 18 anos, que vai cursar este ano a 8ª série do primeiro grau.
Segundo Débora, a justificativa para o fechamento da escola, apresentado por Genoveva, é que apenas 71 alunos teriam manifestado interesse em estudar no Elias Abrahão, número inviável para manter salas de aula. Mas nós temos uma relação de 121 alunos que fizeram matrícula, aponta. Além do mais, diz a aluna, a notícia chegou em cima da hora e o fechamento não foi discutido com a comunidade.
Os alunos disseram que o Núcleo ofereceu como opções algumas escolas que ficam na região. O problema, segundo eles, é que estas escolas, além de mais distantes do bairro, são consideradas violentas. Na (escola estadual Fernando de) Barros Pinto, por exemplo, eu prefiro parar de estudar. Lá rola droga, tem briga, a viatura tem que ficar passando todo dia. Aqui é muito mais tranquilo, diz Débora Bertolucci. Sugeriram ainda escolas no Gavetti, Parigot, mas é longe demais.
Os alunos também criticaram a falta de diálogo entre o Núcleo e a comunidade do conjunto Maria Cecília. Quando a gente ia começar a argumentar ela foi embora. Deixou a gente falando sozinha, aponta Andréa Peruzzi Sacramento, 16 anos, também estudante da 8ª série. Isso teria que ser discutido. Usar a democracia, e não o autoritarismo.
O presidente da Associação de Moradores do Maria Cecília, Wagner Evangelista dos Santos, aponta que tem muito pai revoltado no bairro com a decisão de fechar a escola. Se forem realmente transferidos para outras escolas, acho que 50% dos alunos param de estudar. O pessoal está achando isso um absurdo.
A assistente técnica do Núcleo de Educação, Lulica Ono Suzuki, confirma que a escola será fechada em função da pequena procura por vagas. O Núcleo não tem intenção de fechar escola. Mas houve uma procura muito pequena. Então decidiu-se atender nas outras escolas da região. Ela explica que até pode haver realmente cerca de 100 alunos interessados em estudar no local, mas o problema é que algumas turmas teriam poucos alunos na sala de aula.
Suzuki garante também que há vagas suficientes para os alunos, no período noturno, em pelo menos duas escolas: as estaduais Lauro Gomes e Fernando Barros. Por isso, não acredita que possa haver uma desistência de 50% de alunos, como foi apontado pelo presidente da associação de moradores. Os alunos poderão procurar estas escolas e fazer matrícula normalmente. Só vão ter que andar um pouco mais, diz a assistente técnica do NRE. Mas quanto antes fazer a matrícula melhor. O ideal seria hoje (ontem) mesmo.
Ontem seria o último dia para as inscrições de alunos na rede estadual de ensino. As matrículas foram feitas, inicialmente, no final do ano passado e reabertas no último dia 12, para preenchimento das 10,1 mil vagas que sobraram - do total de 70,2 mil. Mas a assistente técnica do Núcleo garante que quem procurar a escola depois desse prazo também poderá fazer a matrícula. Basta ter vaga.
O Núcleo de Ensino nega também que não tenha informado a comunidade sobre o fechamento da escola em tempo hábil. Temos conversado há muito tempo sobre isso, diz Lulica Susuki.


