Escola faz projeto de revitalização de rio
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quarta-feira, 05 de julho de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Hoje, às 14 horas, um grupo de alunos, pais e professores do Colégio Estadual Professor José Carlos Pinotti têm uma audiência com o prefeito Nedson Micheleti para propor uma parceria. Eles querem ajudar a revitalizar o Ribeirão Lindóia, que passa pelos bairros onde estão suas casas e onde fica a escola, no Jardim dos Pássaros (zona Norte). Para isso, estão trabalhando desde o início do ano no projeto ''Onde Eu Nasci Passa um Rio'', que pretende tornar o fundo de vale existente nas proximidades em um parque de lazer e de convivência.
''Nossa idéia é conquistar o coração do prefeito e mostrar que toda a escola, com seus 1,1 mil alunos, está disposta a abraçar esta causa e trabalhar, dentro de nossas possibilidades'', revela a diretora Evelice Maria Bueno. Ela explica que os alunos deverão se tornar agentes ambientais, trabalhando na conscientização e sensibilização da comunidade local, que ainda utiliza as áreas em torno do ribeirão como depósito de lixo.
O projeto foi desenvolvido a partir da produção de um documentário sobre o manancial, intitulado ''Um Rio no Nosso Quintal''. Com uma câmera de vídeo nas mãos, alunos dos 1º e 2º anos do ensino médio percorreram vários pontos por onde passa o Lindóia, e registraram flagrantes da falta de cuidado com o meio ambiente. ''Em cada ponto o ribeirão tem uma cor, dependendo do tipo de poluição que recebe. Há várias minas ao longo do rio que não são devidamente aproveitadas. Quando a água limpa cai no leito, é contaminada pela sujeira'', observa o professor de História Norival Claro, que coordenou a produção do vídeo.
Outros professores da escola estão envolvidos no projeto, que integra as comemorações de 10 anos de fundação da escola. ''Queremos marcar este aniversário com uma proposta que vá além da proposta pedagógica. Queremos fazer algo que transforme o futuro de nossas crianças'', diz a diretora.
A intenção das crianças e do grupo de educadores é envolver a comunidade nos trabalhos de revitalização que, todos eles sabem, não acontece da noite para o dia. ''O que nos anima é que o rio tem uma força incrível. Por mais degradado que esteja e tem pontos que dá vontade de sentar e chorar continua renascendo e mostrando que pode ser recuperado'', afirma a professora de Ciências e Matemática, Angela Basílio.
Para os alunos que participam do projeto, conhecer melhor os problemas do manancial também tem sido um estímulo para sonhar com um lugar agradável, que todos ajudem a cuidar, sem sujeira, mato e que não seja tão suscetível à violência. ''Outro dia minha mãe viu uma arma jogada no meio do mato'', relata Vinícius Lisboa Massarini, 10 anos, que atravessa diariamente a precária ponte sobre o Lindóia que liga os conjuntos Ilda Mandarino e Parigot. ''Quando chove, é difícil subir o barranco porque escorrega muito. Uma vez vi uma mulher cair com a filhinha no colo'', conta o garoto.
Wellington William dos Santos, de 13 anos, diz que gostaria de ver ali uma pista de caminhada e um parque para brincar. ''Minha mãe tem que caminhar na rua'', explica. A pista imaginada pelo menino é uma das providências previstas no projeto que chega hoje nas mãos do prefeito.


