Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
Enquanto várias escolas públicas do Paraná deixam pais de alunos preocupados com a possibilidade de falta de vagas porque estão lotadas, um colégio estadual de Foz do Iguaçu tenta atrair alunos para preencher as 1.750 vagas existentes. Desde 22 de novembro, quando começaram as inscrições em todo o Paraná, a Escola Estadual Monsenhor Guilherme matriculou pouco mais de 750 crianças.
A instituição, que completou 50 anos de fundação e está localizada no centro da cidade, está ainda com 70% das vagas disponíveis para os cursos de educação geral e ensino médio (5ª a 8ª série).
O secretário da escola, Claudinei da Silva Couto, disse que se esses números não mudarem até 5 de fevereiro, dia do encerramento das inscrições, podem ocorrer demissões não somente de professores, mas também de funcionários de outros departamentos, como serviços gerais e administrativo. ‘‘A data final das matrículas era dia 17 de dezembro. Foi necessário pedir ao Núcleo Regional de Educação uma ampliação do prazo’’, explica Couto.
Segundo a direção da escola, os principais motivos da escassez de matrículas são a redução das turmas, cancelamento de cursos especiais e a procura dos pais dos alunos por colégios localizados nos bairros onde moram.
Até 1998, existiam 50 turmas, entre elas duas com estudantes que participavam de cursos profissionalizantes – auxiliar de contabilidade e desenhista de projetos. No início de 99, os cursos foram desativados e o número de turmas começou a diminuir, sobrando apenas 27 para este ano. Como a escola possui um grande número de salas de aula e boa estrutura técnica (sala de informática, laboratórios e miniginásio), hoje sobra espaço e faltam alunos.
O diretor Paulo Cesar Muller está pedindo à Secretaria Estadual de Educação a implantação de ensino supletivo a partir do ano que vem. Para ele, é a última alternativa para aumentar o número de alunos.
Quando questionados sobre os motivos que resultaram na pequena quantidade de inscrição na escola, alguns pais disseram que existe pouca segurança no local. Atrás do Monsenhor Guilherme, existe uma favela que leva o mesmo nome da instituição. A diretoria do colégio argumenta que os casos de violência diminuíram e que o policiamento aumentou na região.
Quando a argumentação dos pais em relação às drogas, a diretoria afirma que a preocupação deve se estender para outros locais da cidade, pois Foz está localizada na fronteira com outros dois países, o que facilita o acesso dos jovens aos entorpecentes.
A Folha procurou falar sobre o assunto com a chefe do Núcleo Regional de Educação, Elzile Bonassina, mas ela não se encontra na cidade.Das 2,5 mil vagas existentes no maior colégio estadual de Foz do Iguaçu, somente 750 haviam sido preenchidas até ontem
Christian RizziESTRUTURA OCIOSAPrazo para matrículas vai até 5 de fevereiro; se procura não aumentar, direção terá que demitir pessoal