Maigue Gueths
De Curitiba
O projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados, que prevê a realização de exames nas escolas para detecção do uso de drogas pelos alunos, deve causar controvérsias. O presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes (Conen), Olien Zétola, se posicionou, ontem, favorável à legislação. ‘‘Nós já temos tão poucos recursos para brigar contra as drogas e o outro lado tem tantos, que toda tentativa é válida’’, diz. Para ele, ‘‘a lei é até comedida’’, pois não obriga os estudantes a se submeterem ao teste, apenas sugere a adoção dos exames nas escolas a serem feitos com a concordância dos pais.
Para Zétola, as discussões sobre esta lei ainda são muito recentes e não se sabe, ainda, qual a opinião da comunidade sobre ela. ‘‘Mas a droga é um problema alarmante, que a gente sente que está crescendo. A lei iria atuar principalmente previnindo, porque se a escola decidir fazer o exame, o aluno vai pensar duas vezes antes de fazer uso de drogas’’, diz. Zétola deu uma palestra, ontem, para os professores da Escola Municipal Omar Sabbag, no bairro Cajuru. Sua palestra faz parte de um programa de Prevenção ao Uso de Drogas, que vem sendo implantado desde junho na escola.
‘‘Nosso programa é preventivo e não repressivo’’, diz a professora Maria do Carmo Soeiro que junto com outras 4 professoras criou o programa, que está sendo desenvolvido com 19 turmas de 5ª a 8ª séries. A escola tem 2.700 alunos de pré a 8ª série, sendo 1.300 de 5ª a 8ª. A escola tinha um sério problema de indisciplina. Em abril, em concordância com pais e alunos, chegou a suspender o recreio, evitando, assim, as brigas que eram comuns neste horário. Segundo o diretor Evaldo Kerkoski, as brigas acabaram e em consulta recente os próprios alunos decidiram continuar sem o recreio.
O programa de prevenção prevê atividades de dinâmica de grupo, que trabalham o desenvolvimento da auto-estima dos alunos, e atividades com os pais nos laboratórios da escola. Lá irão aprender como fazer detergente, por exemplo, ao mesmo tempo em que discutirão o tema. ‘‘Com a auto-estima em baixa os adolescentes ficam mais suscetíveis aos convites para a droga’’, diz Soeiro. A Escola fez um levantamento por amostragem, através de um questionário autoaplicável junto às 19 turmas da 5ª a 8ª séries, que mostrou o envolvimento de 3% dos alunos com drogas.
Nesta semana, os professores e alunos participam de um seminário sobre cidadania, que prevê palestras sobre drogas, ética e Estatuto da Criança e do Adolescente para os professores. Os alunos estão tendo aulas com alunos do 3º ano de filosofia da PUC/PR sobre valores, cidadania, direitos humanos, solidariedade. Márcio Fernandes, da PUC, que falou sobre família para uma turma da 6ª série gostou da experiência: ‘‘Eles foram participativos e conduzindo o tema de forma atual eles conseguem compreender bem a linguagem e expressar o que pensam’’.Escola faz programa de prevenção enquanto se discute lei que prevê exames para detecção de drogas em estudantes
José SuassunaCombateA Escola Municipal Omar Sabbag tem um programa de prevenção às drogas e ontem promoveu palestra com o presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes, Olien Zétola

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