Escola estadual experimenta inovações
Escola estadual experimenta inovações
Em Campina da Lagoa, cartões magnéticos controlam a entrada e saída de alunos e as salas de aula viram laboratórios
Sid Sauer
O Colégio Estadual Campina da Lagoa, na cidade com o mesmo nome (100 km ao sudoeste de Campo Mourão e com 18 mil habitantes) não é uma escola pública como as outras. Quem se impressiona com um estacionamento coberto para bicicletas, ainda não viu nada. Aliás, não há como não ver as novidades logo na entrada. Desde março, o estabelecimento conta com uma catraca eletrônica no portão. Só entra o aluno que tiver o cartão magnético.
Para evitar fraudes, um funcionário da escola faz a vigia dos alunos que entram. Graças à catraca, a escola aboliu um procedimento que era tão antigo na sala de aula quanto o quadro-negro: a chamada. É que a presença do aluno é dada automaticamente ao se passar o cartão na catraca. Na hora de ir embora, os estudantes também têm que passar pela roleta. Tudo é registrado por um computador que fica na secretaria.
Sabemos a hora exata em que cada aluno chegou e saiu da escola, afirmou o diretor Vicente Paulo de Lima. Ele comprou a catraca com dinheiro da Associação de Pais e Mestres (APM). No total, entre roleta, computador e programas, foram investidos cerca de R$ 8 mil. O acompanhamento de cada aluno, no entanto, ficou ágil e prático. Em poucos segundos, é possível descobrir toda a ficha do estudante.
Para colocar o sistema em funcionamento, a própria escola confecciona os cartões com código de barras, já plastificados, e entrega aos alunos por R$ 2,00. Para o ano que vem, Lima promete cartões com a foto do estudante. Apesar da existência de uma única catraca para os cerca de 400 alunos por período, o diretor garante que não há tumulto. A entrada é totalmente tranquila. A saída, apesar de saírem todos de uma vez, não demora mais do que 5 minutos.
Outra inovação no colégio é do ano passado: as salas de aula comuns foram transformadas em salas-laboratório. O sistema é simples: cada sala é adaptada para receber um tipo de disciplina e, em vez dos professores, são os alunos que trocam de sala ao final de cada aula. Foi difícil encaixar o horário de todo mundo, mas o sistema vem dando certo, comemorou o diretor.
Um dos principais receios foi logo posto de lado. Era o medo de que os alunos demorassem muito para trocar de sala e acabassem comprometendo a aula. Segundo a direção, a troca se dá em menos de três minutos e chega a ser mais rápida do que a substituição do professor no sistema tradicional. A vantagem é que cada sala já fica com os equipamentos inerentes à disciplina, como mapas, cartazes e livros, entre outros materiais didáticos.
O próximo passo da escola é colocar uma televisão com vídeo em cada sala-laboratório. Vamos começar aos poucos, até que todas as salas estejam equipadas, disse Lima. Ele admite que muitos não acreditam nas obras e recursos que consegue para a escola. O segredo é não se limitar a mandar os pedidos através de ofícios, diz. O pedido tem que ser feito com o projeto já pronto e anexado. Nesse caso, explica, diminui-se o caminho da burocracia.





