Escola estadual dá nova chance para alunos repetentes
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de janeiro de 1997
Apolo Theodoro 
Warren NabucoChanceNa escola do jardim Paraíso, uma das turmas de alunos do projeto Novas Oportunidades: aula nas fériasSe a professora Behair Mendonça estivesse viva, por certo ficaria contente com o que anda acontecendo na escola estadual que leva o seu nome, no jardim Paraíso, zona norte de Londrina. Ali, em caráter experimental, está em plena execução o projeto Novas Oportunidades de Aprendizagem em Estudos de Férias.
E, apesar do nome pomposo, o Novas Oportunidades, como o próprio nome diz, nada mais é do que mais uma chance para que os repetentes do ensino regular passem de ano, desde que aceitem estudar no período - de 6 de janeiro a 15 de fevereiro - reservado às férias. Funcionando das 19 às 22 horas, o projeto atende alunos de mais de 14 anos, da 5ª a 8ª série, e que tenham sido reprovados em até duas disciplinas.
Idealizado pela equipe técnica do Centro de Estudos Supletivos (CES), pólo de Londrina, e tendo o Núcleo Regional de Educação (NRE) como parceiro de coordenação, o projeto também envolve alunos repetentes das escolas estaduais dos conjuntos habitacionais vizinhos, Milton Gavetti e Ruy Virmond Carnascialli, num total de 60 estudantes. Eles estão estudando Português, Inglês, Matemática, Ciências, História e Geografia com professores contratados, pelo Estado, especificamente para tocar o projeto.
A professora Maria da Graça Cardoso Marconi, diretora do CES-Londrina, conta que o projeto Novas Oportunidades surgiu de uma provocação feita pelo Departamento de Ensino Supletivo (Desu), ligado à Secretaria Estadual de Educação. A pergunta-desafio era: o que fazer para diminuir o número de reprovados no ensino de 1º grau? O CES-Londrina topou a parada.
Após o desafio do DESU, a equipe se reuniu e elaborou o projeto, que foi levado para os diretores das escolas opinarem a respeito. Eles acharam ótimo. Isso nos animou a elaborar o projeto definitivo e enviar para a aprovação do DESU. E qual não foi a nossa surpresa quando ficamos sabendo que o projeto, assim que chegou em Curitiba, foi repassado imediatamente para o Conselho Estadual de Educação para ser aprovado, relata Maria da Graça.
Também envolvida no projeto, a professora Elisabete de Lazaro Delalibera, supervisora de ensino do CES, revela que nas reuniões feitas com os pais antes de começarem as aulas sentiu a felicidade deles com a chance dada aos filhos. Eles assumiram conosco o compromisso de estar acompanhando tudo de perto; que não iriam deixar os filhos ficarem em casa nos dias de aula. Os pais estão indo muito bem, alguns até acompanham as aulas com os filhos, destaca Elisabete.
Salientando que a orientação pedagógica e o acompanhamento do projeto estão sob a responsabilidade da equipe técnica do CES, a diretora Maria da Graça diz que o Novas Oportunidades não tem nada a ver com a antiga e extinta segunda época e nem com a chamada recuperação terapêutica ainda utilizada nas escolas estaduais de ensino regular.
Quando tinha segunda época, o aluno reprovado pagava aulas particulares durante as férias e depois fazia uma prova. A recuperação terapêutica, feita quando o aluno não alcança média 5, também é mais uma prova, mais uma chance para passar depois de uma semana de aula, compara Maria da Graça, explicando que, no Novas Oportunidades, o conhecimento é aferido de outra maneira:
- Tudo o que o aluno produz é avaliado. Ele tem que demonstrar crescimento na matéria, mas não há exame e nem prova com dia marcado. O que existe é um acompanhamento e uma avaliação, quase que diária, de toda a produção dos alunos.
A supervisora Elisabete de Lazaro completa:
- Cada aluno tem a sua pasta e esse material será também avaliado no final por um conselho formado pelos professores e toda a equipe envolvida.
Mas a coisa não pára por aí: aprovados, esses alunos serão acompanhados durante o ano todo para verificar se têm o mesmo desempenho dos demais colegas que passaram direto. Mas uma ressalva: a aprovação no Novas Oportunidades não é automática. Se, neste mês de aulas, não houve apropriação dos conteúdos essenciais, o aluno continuará reprovado, garante a supervisora, embora torça pelo contrário. A reprovação é a pior coisa para fazer a auto-estima ir lá embaixo.
Lembrando que qualquer escola de ensino regular pode adotar o projeto, a diretora do CES acredita que, se esta experiência der certo, poderá ser ampliada não só para outras escolas de Londrina, mas também para outros pólos. Empolgada com o que tem visto, Maria da Graça coloca a maior fé nisso:
- Os professores que atuam no projeto estão gostando. Os alunos, precisa ver, estão felizes e frequentando assiduamente as aulas. Por isso, por esse entusiasmo de professores e alunos, nossa expectativa com o projeto é de sucesso.


