Alunos estudando em salas improvisadas na biblioteca, no laboratório e até na cancha esportiva sem cobertura. Por causa da interdição de um prédio com seis salas, estudantes da Escola Estadual Maestro Andrea Nuzzi, em Cambé (13 km a oeste de Londrina) estão tendo que conviver com esta situação. O problema continuará até que a reforma no prédio seja realizada.
Localizada no Residencial Castelo Branco, a escola é composta por dois prédios. O mais antigo, construído em 1974, é formado por seis salas de aula - no segundo edifício ficam outras 13 salas. Quando o ano letivo teve início, no dia 8 do mês passado, foram notadas algumas rachaduras na parede das salas antigas. ‘‘Uma semana depois vimos que as rachaduras aumentaram’’, observa a vice-diretora do período matutino, Fátima Crespilho Buranello.
Dorico da SilvaSem reformaA vice-diretora Fátima Crespilho Buranello: parede com rachadurasPara não colocar os estudantes em risco, a direção da escola decidiu chamar engenheiros do Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decom) e o Corpo de Bombeiros. ‘‘Os bombeiros nos aconselharam a interditar o prédio’’, relata. A interdição aconteceu há uma semana e a direção optou por improvisar salas para evitar que os alunos ficassem sem aula. ‘‘Mais tarde teríamos que repôr as aulas’’, justifica.
Quem passa em frente à escola não imagina os problemas enfrentados pelos professores e alunos. Mas basta dar uma olhada nas dependências para perceber que há estudantes espalhados por todos os cantos. Ontem de manhã, uma turma da 4ª série estudava em uma sala improvisada no pátio coberto onde deveria ser servida a merenda, enquanto que outra turma de 25 alunos da 3ª série se amontoava em uma minúscula sala de orientação.
No laboratório, a pia usada para experiências foi improvisada e serve de mesa para a professora. Já na sala de informática, os micros tiveram que ser colocados em um canto para dar espaço às carteiras. Na biblioteca, crianças dividem espaço com livros e revistas.
Dorico da SilvaJeitinhoBiblioteca acabou sendo transformada em sala de aula: apertoA situação é pior no período noturno, quando há aulas para estudantes do ensino médio (antigo 2º grau). Como são em maior número (855 do total de 2.050), eles podem ser acomodados em salas pequenas. Por isso, muitas turmas são obrigadas a assistir às aulas na cancha esportiva. ‘‘Quando chove, como aconteceu ontem (anteontem), é preciso tirar as carteiras da quadra. Não é uma condição para se dar uma boa aula’’, lamenta a vice-diretora do período matutino, Fátima Crespilho Buranello.
Ela lembra que muitos alunos do período noturno saem do trabalho e vão direto para a escola. ‘‘Eles chegam aqui e não encontram um ambiente adequado para estudar’’, observa. ‘‘E os professores também ficam sem poder dar uma boa aula’’, acrescenta.
Além das salas de aula improvisadas, os alunos convivem também com a falta de carteiras. Segundo Fátima, há um déficit de aproximadamente 100 carteiras. ‘‘Tentamos recuperar todas, mas não foi possível’’, conta. Mesas e cadeiras do refeitório estão sendo usadas temporariamente para os alunos estudarem.

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