Escola elimina castigo da reprovação
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de abril de 1997
Paulo Pegoraro Sucursal de Cascavel 
Edson MazzetoRigorO plantão da diretora Marlene Dias (esquerda) e as normas da escola: para evitar uso de trajes considerados provocantes Ausência total de reprovação no 1º e 2º Grau com exigência de participação ativa dos alunos na vida da escola. Paralelamente, dispensa de uniforme mas normas de comportamento que incluem até mesmo proibição do uso de bonés pelos alunos ou trajes provocantes pelas alunas. Estas condições - incomuns no Estado - foram adotadas pela Escola Estadual Eleodoro Ébano Pereira, de Cascavel, com resultados altamente positivos, segundo avaliação de pais, alunos, professores e diretores.
O estabelecimento está consolidando definitivamente neste ano letivo a não reprovação integral, que foi sendo desenvolvida nos últimos anos. Em outras escolas da rede estadual, a experiência só ocorre até a 4ª série do 1º Grau. Na Eleodoro Ébano Pereira, toda a comunidade escolar compartilha um projeto político-pedagógico próprio, seguindo apenas diretrizes da secretaria estadual da Educação. A escola, no centro da cidade, com 3 mil alunos e 130 professores e funcionários, é a mais antiga de Cascavel (criada em 1932).
Segundo a diretora Marlene Dias, 53 anos, há 10 no cargo, o sistema parte do princípio que os alunos têm capacidade de aprendizado e sua formação não deve ser decorrente do castigo da reprovação.
Segundo Marlene, a exigência de notas para aprovação se inclui em práticas do tempo do êpa, situação que começa a ser rompida. Além do exemplo desta escola, existe o sistema de correção de fluxo, que prevê transferência para série mais avançada do aluno com idade incompatível em relação à turma que frequenta. A correção está sendo implantada pelo Estado.
Caso o aluno não assimile o currículo, somente duas hipóteses são consideradas: dificuldade no aprendizado ou falha dos professores. Nestes casos, ocorre uma negociação, envolvendo professor, aluno e pais.
Segundo Marlene, os alunos não devem ser submetidos ao trauma de estudar para tirar nota, e sim aprender a matéria. Os resultados da experiência são extremamente animadores, pois as coisas mudam radicalmente quando se dá chance às pessoas.
Marlene Dias entende que reprovar alunos é o mesmo que um médico dizer ao paciente grave que ele vai morrer sem tentar curá-lo. O educandário desenvolveu metodologias para seu projeto, motivando alunos e professores, e conclamando os pais a acompanhar as tarefas em casa.
Provas e notas servem para avaliar o aprendizado. Porém, alunos que faltam demais às aulas, não fazem tarefas ou não participam de trabalho em grupo são advertidos e podem ser transferidos. Uma das consequências da não reprovação é a eliminação quase total da evasão escolar.
A chefe do Núcleo Regional de Educação, Marise Luvison, conta que o relato da experiência da Escola Eleodoro Ébano Pereira, feito recentemente na Universidade do Professor, em Faxinal do Céu, despertou atenções em todas as regiões e diretores e professores pediram cópias do projeto.
Os índices de aproveitamento dos alunos são melhores que em outros estabelecimentos, observa. A evasão, informa ela, é inferior a 2%, enquanto em outras chega a 34%. O segredo está em eliminar a ameaça da nota e da reprovação e trabalhar com a auto-estima dos alunos, completa Marise Luvison.
A proibição só existe na escola, pois em tudo o mais na sociedade fazemos as coisas auxiliados uns pelos outros, diz o professor Tarcísio Vanderlinde, da Comissão de Vestibulares da Unioste (mais opinião do professor nesta página). Ele se baseia no educador inglês Gordon Wells, para quem os estudantes não fariam provas em que fossem proibidos de olhar as respostas dos colegas.


