Escola elege hoje 'prefeito por um dia'
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quinta-feira, 10 de agosto de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Cambé As eleições presidenciais e para deputados ainda estão esquentando os motores no País, mas no Colégio Estadual Antonio Raminelli, no Jardim Ana Rosa, em Cambé (13 quilômetros a Oeste de Londrina) há um processo eleitoral em pleno vapor. Uma dezena de candidatos, entre 13 e 16 anos, disputam hoje a oportunidade de ser ''Prefeito por Um Dia'', projeto implantado no ano passado pela prefeitura com o objetivo de valorizar o saber popular, incentivar a pesquisa e a formação de líderes.
A possibilidade de se tornar autoridade por um dia, com direito a motorista particular, a assinar documentos públicos e a almoçar e jantar com o prefeito Adelino Margonar tem deixado os alunos na maior ansiedade. Na última quinta-feira eles puderam ''fazer campanha'' nas salas de aula, distribuindo santinhos com as principais propostas de trabalho, dentro e fora da escola. Ontem participaram de debate no ginásio de esportes, onde foram sabatinados por alunos e professores.
Os 10 candidatos representam todas as turmas de 6 e 7 séries da instituição e foram escolhidos em convenção. ''É como se cada sala de aula fosse um partido político'', define o diretor auxiliar e presidente da Comissão Eleitoral, José Carlos Rodrigues Pereira. Cada interessado em se candidatar teve que fazer um levantamento dos aspectos históricos do município, do bairro e da escola. Os adolescentes também fizeram uma pesquisa junto à população do bairro para levantar os principais problemas e formular sugestões ao prefeito.
Diego da Silva Resende, de 13 anos, conta que resolveu se candidatar para ver de perto como funciona uma prefeitura. Ele nunca esteve no gabinete do prefeito, e diz que se ganhar vai pedir a ele melhorias para a escola e falar das dificuldades vividas pela população do bairro, como falta de medicamentos no posto de sáude e falta de segurança.
Willian Borini Souza, de 14 anos, se viu atraído pela possibilidade de viver uma experiência nova. Já Patrícia dos Santos, de 13 anos, tem nos serviços de saúde e no desemprego suas maiores preocupações. ''Acho que este projeto está sendo bom para todo mundo'', avalia. ''É uma forma de podermos conhecer melhor a política. Antes, eu nunca tinha me interessado pelo assunto'', revela outra candidata, Juliana Maria Bahls, de 14 anos.
O diretor auxiliar destaca a oportunidade que os alunos estão tendo de fazer política de uma maneira saudável, sem rivalidade. ''A proposta é que conheçam todo o processo democrático de uma eleição'', afirma Pereira. Para a pedagoga da escola e membro da Comissão Eleitoral, Neusa de Jesus Pizaia, o mais importante é a possibilidade dos alunos interagirem com os problemas do bairro, vivenciar sua história e resgatar o espírito de cidadania. ''Além disso, o projeto ainda é uma oportunidade de descobrir talentos nestes jovens e fazer com que eles encarem suas próprias limitações. Independente de quem ganhar, os objetivos serão alcançados.''


