O promotor de Justiça da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Márcio Luís Bergantini, credita à desestrutura familiar a causa dos constantes atos de violência cometidos por adolescentes nas escolas. ‘‘Geralmente os adolescentes envolvidos nestas ocorrêm são filhos de pais com histórico de alcoolismo, drogas e problemas financeiros’’, afirmou.
  Segundo ele, existe negligência por grande parte dos pais no processo de educação dos filhos. ‘‘Muitos pais alegam falta de tempo e, por trabalharem fora o dia todo, acham que cabe à escola a responsabilidade da educação de seus filhos. Na realidade, a escola é responsável apenas pela instrução dos alunos’’, avaliou.
  Bergantini disse que, em busca de uma educação menos repressora, a maioria dos pais tem adotado uma postura permissiva em relação aos filhos. ‘‘Quando os professores repreendem os adolescentes por indisciplina, alguns pais têm uma atitude defensiva achando que a escola está discriminando seus filhos. Dessa forma, os professores acabam perdendo a autoridade e com isso aumentam os casos de agressão contra eles’’, afirmou.
  Na opinião de Bergantini, o registro de todas as ocorrências de indisciplina na escola são fundamentais para adotar medidas sócio-educativas e diminuir os crescentes casos de violência. ‘‘É preciso registrar tudo o que acontece na escola para criar um histórico do aluno e dessa forma propor medidas de acordo com a gravidade e reincidência do delito cometido’’, afirmou.
  De acordo com o promotor, entre as medidas sócio-educativas está a internação em regime semi-aberto. ‘‘O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê a internação em unidade educativa pelo período de seis meses a três anos para casos extremos, como grave ameaça ou violência física com lesões corporais’’, destacou.
  A APP-Sindicato, que representa cerca de sete mil professores e funcionários de escolas estaduais de Londrina e região, também defende o registro das ocorrências. ‘‘Muitas vezes ficamos sabendo dos casos de violência nas escolas apenas pela imprensa, pois muitas unidades não denunciam os infratores. É preciso criar o hábito de denunciar, pois somente através de estatísticas será possível criar alternativas para conter a violência’’, afirma o presidente do sindicato, Antonio Marcos Gonçalves.
  Paralelo a isso, a entidade luta para que o governo adote medidas visando a redução dos casos de indisciplina. Ele defende que o número de alunos por sala de aula seja reduzido. ‘‘Dessa forma o professor terá melhores condições de trabalho e poderá acompanhar mais de perto o desempenho dos alunos’’, afirma.

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