Londrina – Alunos e professores da Escola Municipal Professora Maria Irene Vicentini Theodoro, no Jardim Califórnia, zona leste de Londrina, convivem com o medo. Na madrugada de ontem, o espaço foi alvo de vandalismo pela terceira vez em menos de dois meses. A fumaça ainda saía da porta da secretaria da escola quando a diretora Deise Cavalcanti chegou para dar início aos trabalhos. "Nós temos alarme monitorado e o pessoal me ligou por volta das 5 horas da madrugada para avisar sobre a ocorrência. Eu fiquei com medo de vir aqui sozinha e dar de cara com os vândalos. Aguardei o início da manhã... É muito triste ver os estragos", lamentou.
Uma pessoa encapuzada invadiu o pátio da escola, juntou algumas almofadas que estavam em um dos bancos e ateou fogo na porta que dá acesso à secretaria. A porta de madeira foi completamente destruída e as marcas do incêndio ficaram nas paredes ao redor. Os rapazes roubaram o teclado, o mouse e o monitor de um dos computadores.
A escola atende 294 alunos do 1º ao 5º ano da Educação Infantil e da Educação de Jovens e Adultos (EJA). As aulas foram mantidas ontem e os funcionários que trabalham na secretaria foram transferidos para a sala dos professores.
No dia 7 de junho, um grupo invadiu a cozinha da escola e roubou o freezer e a batedeira. Na tentativa de levar a geladeira, o equipamento foi quebrado e precisou ser substituído pela Secretaria Municipal de Educação. A cozinha foi arrombada novamente no dia 23 de julho e os rapazes levaram itens utilizados na limpeza, além de vários alimentos que seriam preparados na merenda escolar. "Os pais nos ajudaram a recuperar tudo o que foi danificado. A comunidade participa muito", afirmou a diretora. Nas duas ocasiões, os responsáveis pelos crimes não foram localizados.

CONVERSA COM CRIANÇAS
Deise atua na rede municipal de ensino há 32 anos e é diretora na escola do Jardim Califórnia desde 2010. "Toda a rede deveria ter seguranças para atender as escolas. As crianças estão assustadas. Algumas pediram aos pais para irem embora e outras nos perguntam se o ladrão iria voltar aqui", relatou.
Os professores foram orientados a conversar com as crianças sobre o fato. "Elas estavam agitadas, perguntando sobre o assunto. A gente explicou o que aconteceu e reforçou a importância da escola para a comunidade. Afinal, elas são os mais prejudicadas com isso tudo", contou a professora Renata Almeida. "A gente pensa que a escola é um lugar seguro. Pelo menos, foram só danos materiais até agora", lembrou com preocupação.
Imagens da única câmera de segurança instalada no pátio devem ajudar a identificar quem teria invadido a escola. De acordo com o inspetor do setor de Comunicação e Monitoramento da Guarda Municipal, Eder José Pimenta, uma pessoa encapuzada invadiu o local por volta das 3h30. "É bem provável que seja um rapaz. As imagens não estão muito nítidas porque foram gravadas sem muita iluminação. Logo depois que a pessoa entra na escola, é possível perceber um clarão que pode indicar o local em que foi ateado o fogo. Ele retorna às 4h37, quando o alarme é disparado", explicou.
Vigilantes da empresa terceirizada Force, guardas municipais e policiais militares foram até o local, mas não conseguiram localizar o autor do crime. As imagens serão repassadas a Polícia Civil que deve investigar o caso.

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