Escola é acusada de excluir hiperativo
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quinta-feira, 10 de julho de 1997
Cristine Pieske 
Curitiba
Kraw PenasDiscriminaçãoLiane Pedroso diz que o filho Vinícius, de 10 anos, já foi deixado sozinho no corredor do colégio e impedido de entrar na sala de aulaUma escola estadual de Curitiba, o Colégio Professor Zacarias, está sendo acusada de excluir um aluno das atividades em grupo, por ser uma criança hiperativa. Apesar da idade, o menino Vínicius, de 10 anos, ainda está na 2ª série e até agora não aprendeu a ler nem a escrever. A mãe do menino suspeita que, por não saber lidar com crianças que apresentam este tipo de comportamento, a direção do colégio esteja forçando a transferência de Vinícius para outra escola.
Desde o começo das aulas Vinicíus ficou mais agressivo, e apresentou regressões no seu aprendizado, afirma a mãe do estudante, a enfermeira Liane de Cássia Pedroso. Ela se queixa de que seu filho não recebe atenção especial dos professores, e é tratado com desrespeito. Ele me conta que já foi deixado sozinho no corredor do colégio, e que às vezes não permitem que ele entre na sala de aula, diz Liane. Segundo ela, o menino chegou a ser ameaçado de expulsão por mau comportamento, o que seria proibido por lei.
Os professores da escola afirmam que o menino é inquieto e desobediente, e costuma agredir seus colegas - características comuns nas crianças hiperativas. O diretor-geral da Secretaria Estadual da Educação, Laureni Teixeira, admite que os professores reclamam do comportamento do aluno, mas nega que tenham feito ameaças de expulsá-lo. Eles contam que o Vinícius é uma criança difícil, que quase nunca fica quieto ou respeita os professores, diz o diretor-geral. Ele desmente que existam planos de forçar transferência do estudante, e que a intenção da escola é discutir a situação da criança junto com sua mãe.
Há cerca de um mês, a mãe de Vinícius entregou à diretora da escola um laudo neurólogico, no qual as condições de comportamento e as dificuldades de aprendizado do menino são descritas e atestadas pelo médico. A psicopedagoga Isabel Parolin, que acompanha o caso, defende a necessidade de um tratamento especial para o menino, não só em casa mas principalmente na escola. As crianças hiperativas têm dificuldade para se concentrar e por isso não conseguem acompanhar o ritmo de assimilação das outras crianças, explica Isabel.
Segundo a psicopedagoga, os professores que lidam com estas crianças precisam receber um treinamento especializado, capaz de fazê-los superar possíveis dificuldades de relacionamento. A metodologia aplicada no ensino das crianças hiperativas também deve ser diferenciada. A maioria das escolas não está preparada para o problema, nem percebem a importância disso, comenta.
O Sindicato dos Professores das Redes Municipais e Estaduais de Ensino do Paraná (APP-Sindicato) confirma a falta de preparo da maioria dos professores da rede pública, informando que muitas crianças já deixaram a escola por não receberem atenção diferenciada. O Estado precisa de recursos para preparar melhor seus profissionais, afirma o secretário de imprensa da APP-Sindicato, José Lemos. O sindicato está preparando uma cartilha sobre ensino especial, que será distribuída para todas as escolas do Paraná no segundo semestre.
A chefe do Departamento de Educação Especial da Secretaria Estadual da Educação, Ivanilde Tibola, afirma que o Estado possui programas de ensino diferenciado, mas em número insuficiente para atender todos os alunos.


