Osmani Costa
De Londrina
A presidente do Conselho Tutelar de Londrina, Maria Helena de Souza Castardo, deu entrada na tarde de ontem, na Vara da Infância e da Juventude, com uma representação contra a direção da Colégio Estadual Hugo Simas, que estaria se negando a realizar a renovação das matrículas de três estudantes para o próximo ano letivo por motivo de indisciplina.
De acordo com Maria Helena Castardo, a atitude da direção do colégio é discriminatória e inaceitável. ‘‘Ela infringiu o Estatuto da Criança e do Adolescente em dois pontos: quando não garantiu o direito à vaga e à educação e quando deixou de atender uma requisição oficial do Conselho Tutelar’’, ressaltou ela, lembrando que este crime prevê pena de seis meses a dois anos de detenção para a responsável pela escola.
A representação do Conselho solicita à Vara da Infância providências imediatas, porque o período de rematrícula do Hugo Simas terminou ontem. A reclamação das três mães chegou ao Conselho anteontem, depois que elas estiveram no Núcleo Regional de Educação (NRE) e não conseguiram reverter a negativa da diretora Ubiracy Lobo Moreira da Silva em aceitar a renovação das matrículas.
Na manhã de ontem, a presidente do Conselho Tutelar foi ao colégio, na área central da cidade, acompanhada por duas mães. ‘‘Infelizmente, a diretora insistiu na discriminação dizendo que era decisão do conselho escolar. Esta justificativa é inaceitável; e a atitude da diretora é absurda. Se os estudantes têm problemas, é dever da escola buscar solução para eles através do seu regimento disciplinar’’, afirmou Maria Helena Castardo.
A despachante Ana Maria Deliberador, que teve negada a rematrícula de uma filha de 14 anos, não se conforma com a discriminação. Ela esteve ontem na escola e ameaça ir à Secretaria Estadual de Educação para garantir o direito de vaga no Hugo Simas para a filha, que estuda lá há dois anos e está passando para a 7ª série.
‘‘Vou a Curitiba e até a Brasília, se necessário. Estou revoltada, porque a escola não tem motivo justo para impedir que minha filha continue estudando nela, que fica a três quadras da nossa casa’’, comentou a despachante. Ela afirma que não tem condições de pagar escola particular. A diretora Ubiracy da Silva disse que as reclamações não têm procedência e que ninguém está sendo vítima de discriminação.
De acordo com ela, as mães podem ficar tranquilas porque as vagas serão garantidas a todos os atuais alunos. ‘‘Algumas mães reclamam demais, aumentam lá fora o que ouvem aqui. Ainda estamos na fase de explicações, de conversar com os pais. Não estamos no momento das matrículas definitivas’’, garantiu a diretora do Hugo Simas, que tem cerca de 2.200 estudantes.
A chefe do NRE, Maria Genoveva Belucci, afirmou no início da tarde de ontem que não sabia da denúncia de discriminação contra a diretora do Hugo Simas e nem da medida adotada pelo Conselho Tutelar. Ela se comprometeu a checar a veracidade da acusação e a comentar o assunto ainda ontem, mas até o fechamento desta edição não deu retorno às ligações.

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