Salvador, (BA) - O século XXI chegou impondo importantes mudanças tecnológicas, comportamentais e econômicas. E as escolas, estão preparadas para conduzir as crianças e jovens a lidar com essa nova sociedade?
Essa questão norteou muitos dos debates que reuniram professores, diretores de escolas, consultores e autoridades em educação no Fórum Mundial de Educadores Inovadores 2009, promovido pela Microsoft, em Salvador (BA), no início deste mês.
Entre muitas idéias verbalizadas em idiomas diferentes - o fórum reunia educadores de 60 países -, uma resposta persistiu no discurso dos principais palestrantes: a escola precisa mudar para adequar-se e a condição urgente e imprescindível para essa adaptação é a revisão do currículo escolar.
O consultor brasileiro em educação e tecnologia Eduardo Chaves, autor de diversos livros sobre o tema, defende que a escola tradicional precisa antes de tudo livrar-se do modelo imposto pela Revolução Industrial. Ele explica que o formato da sociedade industrializado é fragmentado. Na infância a criança brinca, dos sete aos 20 e poucos anos frequenta os bancos escolares e depois começa a vida profissional, que termina na aposentadoria.
Na Sociedade da Informação (como está sendo conhecido o modo de vida contemporâneo) não existe claro esse modelo dividido em etapas. Há momentos em que a criança aprende enquanto brinca (ou vice-versa) e muitas vezes o adulto ainda continua trabalhando quando volta para casa, pois ele se mantém ligado aos negócios pela Internet ou pelo telefone celular. E quem diz que não se aprende trabalhando?
''A escola tem que sair desse paradigma da sociedade industrial'', alerta Eduardo Chaves, lembrando que o ensino tradicional está muito mais focalizado nos fracassos do aluno do que em seus pontos fortes. Ou seja, na opinião do educador brasileiro, o aluno com pouca aptidão em matemática, não deveria ser ''forçado'' a estudar exaustivamente essa matéria até conseguir uma boa nota. ''A escola deve construir em cima do ponto forte da criança. É o interesse que dá motivação para estudar'', aponta o educador, que é doutor na área de educação, ex-professor da Universidade de Campinas (Unicamp) e consultor do Instituto Ayrton Senna e do Programa Parceiros na Aprendizagem da Microsoft.
Na opinião de Chaves, a escola inovadora não tem o currículo orientado para as disciplinas, mas para as competências e também para a resolução de problemas. Os pais e professores deveriam perguntar o que as crianças e jovens gostam de fazer, o que eles gostam de aprender e que área desperta mais interesse neles. ''A educação personalizada leva a sério o projeto de vida das pessoas'', resume.
Questionado se uma criança do ensino básico saberia responder as perguntas acima, Eduardo Chaves cita o exemplo do tri-campeão mundial de automobilismo, o brasileiro Ayrton Senna, que desde muito pequeno demonstrava interesse por carros, depois o kart, ponto forte que foi incentivado pela família e que foi fundamental para que ele se tornasse um dos maiores pilotos de Fórmula 1.
''As escolas estão fazendo coisas que não precisam mais fazer'', acredita o consultor, lembrando que muitos dos conteúdos que antes era atribuição do professor transmitir, hoje é facilmente encontrado na Internet.
Eduardo Chaves enumera alguns pontos que devem ser preocupação das escolas: focar atenção em competências e esquecer disciplinas, despertar nas crianças e jovens as habilidades para resolver problemas, para conviver bem com outras pessoas, administrar o tempo e ser capaz de se comunicar em outro idioma além da língua mãe.
* A jornalista viajou a convite da Microsoft.

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