Albari Rosa



O professor Celso Nunes (acima) questiona o papel do professor que não ensina o aluno a prestar atenção, e a arte-educadora Lena Aschenbach (embaixo) usa o origami para ensinar

O cérebro humano tem pelo menos nove tipos de inteligência e todos podem ser estimulados, mas o conceito clássico de escola explora apenas dois deles - a inteligência verbal ou linguística e a lógico-matemática. Os outros sete, definidos por cientistas da Universidade de Harvard (EUA), são os seguintes: espacial, musical, sinestésico-corporal, pictórica, naturalista, intrapessoal e interpessoal.
‘‘Antes, essas outras inteligências eram tidas como talentos especiais de algumas pessoas - os chamados superdotados. A descoberta mostra que todas as pessoas tem essas inteligências, e todas elas podem ser estimuladas na escola’’, diz o professor Celso Nunes, diretor de escola e autor de mais de 80 livros didáticos sobre técnicas de ensino.
‘‘Isso dá às escolas um novo papel - o de ensinar aos alunos o aprender a aprender e o desenvolvimento de habilidades. Vamos deixar os conteúdos para os CD-ROMs e enciclopédias e priorizar as habilidades nos seres humanos’’, defende.
Na prática, ele cita como exemplo a aplicação de jogos que aprimorem o tato, o paladar, a atenção, a sensibilidade para o odor, entre outros. ‘‘Tudo isso, dentro do conceito clássico de escola, não existia. Qual é o professor que ensina o aluno a prestar atenção?’’, observa ele.
O professor lembra que cada tipo de inteligência está relacionado a atividades específicas, normalmente não valorizadas nas salas de aula. A inteligência espacial estaria ligada à criatividade e fantasia; a musical, ao saber ouvir; a corporal, ao corpo e movimento; e a pictórica, ao desenho e pintura.
Elementos da natureza fariam parte da inteligência naturalista. Na intrapessoal, o principal seria a auto-estima e a motivação; e na interpessoal, a empatia e a relação com as outras pessoas.
Celso Nunes diz que os professores devem valorizar atividades que estimulem todos tipos de inteligência. As técnicas podem ser experimentadas em qualquer idade, mas o melhor período é o que envolve os primeiros anos escolares, com alunos dos dois aos nove anos de idade.
Ele observa que o método não envolve gastos com compra de equipamentos ou tecnologias e que os resultados dependem da seriedade da aplicação. ‘‘É como perder a barriga - a técnica não é difícil, mas o sucesso depende da disciplina e da frequência dos exercícios.’’ (G.P.)

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