Escola de Tamarana precisa de reforma
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quinta-feira, 30 de junho de 2005
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Tamarana Goteiras, poças de água pelos corredores, material didático molhado, portas quebradas, fiação elétrica precária, falta de laboratórios e merenda escassa e pouco variada integram a lista de reclamações dos alunos e professores do Colégio Estadual Maria Cintra de Alcântara, única escola pública estadual de Tamarana (62 km ao Sul de Londrina). Com atendimento de quase 1,4 mil estudantes em três turnos, o prédio enfrenta problemas estruturais que prejudicam as aulas.
Segundo o diretor Edevailson Rodrigues da Silva, a última obra realizada no colégio com recursos do Instituto de Desenvolvimento Educacional do Paraná (Fundepar) foi a cobertura de uma quadra de esportes em 2000. Problemas urgentes, como a troca do sistema elétrico - que já provocou um incêndio - e a reforma estrutural para sanar as goteiras e infiltrações, ainda não foram solucionados pelo governo do Estado. Outra reivindicação é o aumento de um muro que, segundo professores, facilita a entrada de pessoas estranhas no prédio durante as aulas de educação física.
''Quando chove, fica gotejando na nossa cabeça'', reclamaram em coro os alunos da quinta série. ''Isso já não é mais goteira. É uma bica'', continuam eles, que precisam se amontoar pelos cantos da classe para fugir da água nos dias de chuva. ''Os cadernos ficam molhados'', acrescentam. Na sala 15, onde estudam, o reboco da parede já caiu sobre um aluno.
A situação assusta os pais. ''Quando chove, a gente fica em dúvida se manda ou não as crianças para a escola'', afirmou Josenilda Kogos Cunha, mãe de dois alunos e membro da Associação de Pais, Mestres e Funcionários (APMF). ''Se eles (os estudantes) faltam, perdem conteúdo. Se vão à escola, correm risco de sofrer acidentes. É preocupante'', completou Antônio Berto de Souza, presidente da APMF.
Os professores reclamam que a estrutura precária dificulta a motivação dos alunos. ''Tomar chuva dentro da sala não é fácil'', afirmou a profesora Thais Cunha Ceccato que, assim como o diretor, é ex-aluna do colégio e lamenta o descaso com relação ao prédio. ''A gente fica revoltada quando vê tantas propagandas sobre escolas reformadas. Aqui, ninguém reformou nada'', criticou.
Thais lembrou que a maioria dos estudantes vêm da zona rural e, por isso, acorda muito cedo e enfrenta uma verdadeira maratona de caminhadas e ônibus para chegar à escola. ''Eles já chegam cansados e precisam de muita motivação para aprender'', afirmou.
A professora Juliane Aparecida de Paula, que também integra o time de ex-alunos que se tornaram educadores, ressaltou que o colégio é grande e deveria ter laboratórios de informática, biologia e química. ''São os alunos que perdem com isso'', disse. As duas mestras relataram, ainda, que a falta de estrutura impediu a implantação de um curso de magistério na Maria Cintra de Alcântara. ''Os jovens têm que estudar em Londrina, enfrentar a rodovia. Os pais se preocupam'', disseram.
O chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE), Rony dos Santos Alves, confirmou que o prédio precisa de reforma. ''Já estive lá três vezes. A situação é realmente precária'', disse. Ele informou ter encaminhado um pedido de reforma geral ao Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decom) em 2003. O órgão teria enviado a solicitação à Fundepar. ''Ainda não obtive resposta'', relatou.
A assessoria de imprensa da Fundepar informou que a equipe técnica do instituto estava participando de um evento em Cascavel e, por isso, não poderia passar informações sobre o projeto da escola de Tamarana.


