Apucarana – Um trabalho inédito, desenvolvido pela Prefeitura de Apucarana, tem garantido bons resultados quando o assunto em discussão é a gestação saudável e a diminuição no número de mortalidade de recém-nascidos. A Escola de Gestante, criada em 2001, faz um acompanhamento completo e diferenciado para todas as mamães de primeira viagem ou mesmo as mais experientes. O trabalho, que atende grávidas de todos os níveis sociais, recebeu em dezembro de 2005 o Prêmio ODM Brasil, que visa estimular ações e projetos que ajudem o País a cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
  Município com 116 mil habitantes, Apucarana atende hoje, através da Escola de Gestante, cerca de 800 grávidas por mês. O trabalho faz parte do chamado pacto pela educação, que envolve vários projetos de atendimento à população, desde a gestação até serviços às pessoas da terceira idade. O projeto prevê programas nos setores da saúde, educação, esporte e lazer.
  De acordo com o prefeito Valter Pegorer (PMDB), entre todos os programas, a Escola de Gestante é o principal. ‘‘Considero o de maior peso, porque acompanha a criança antes mesmo do nascimento’’.
  O trabalho iniciou depois da constatação de que 28% das grávidas do município eram crianças e adolescentes, na faixa dos 10 aos 19 anos. ‘‘Esse número nos assustou e resolvemos desenvolver um trabalho de orientação, junto à Regional de Saúde e ao Núcleo Regional de Educação’’, afirmou Pegorer. Hoje, além das adolescentes, toda a família é orientada para evitar a gravidez prematura.
  O atendimento na Escola é feito por quatro médicos obstetras, uma enfermeira, uma psicóloga, além de assistentes, num total de 14 funcionários. Um carro fica à disposição das pacientes que moram na zona rural e precisam ser trazidas de casa para as consultas.
  Durante todo o dia, a pequeno imóvel de apenas cinco cômodos, localizado no Centro da cidade, fica lotado de futuras mães que fazem o pré-natal, recebem orientações através de palestras e vídeos sobre métodos anticonceptivos, planejamento familiar, riscos de gravidez na adolescência ou mesmo tardia.
  Segundo a coordenadora da Escola,Ivanir Souza Silva, o índice de comparecimento é grande. ‘‘É muito difícil uma mãe faltar na consulta e, quando isso acontece, informamos as Unidades Básicas de Saúde ou vamos até a casa da gestante para saber o que está acontecendo’’, afirmou. No total, 28 equipes trabalham no Programa de Saúde da Família, que além dos atendimentos normais, atende grávidas de risco em domicílio.
  O trabalho tem respaldo do Instituto de Apoio à Mulher de Apucarana (Iama) e atende gestantes de todos os níveis sociais. ‘‘O objetivo é tirá-las dos corredores do SUS (Sistema Único de Saúde) e dar um atendimento específico para elas. Aqui as mães têm um cantinho só delas. É um trabalho com resultados’’, disse a coordenadora. A Escola de Gestante deve ser transferida para um local maior, assim que um outro imóvel esteja disponível.
  Adriana Cristina dos Santos, 18 anos, recebeu atendimento em casa. Ela chegou com desnutrição e em apenas duas semanas recuperou 2,4 quilos. ‘‘É muito importante o trabalho realizado aqui’’, resumiu.
  Adriana Lisboa Coutinho, 25 anos, tem três filhos, sendo que em duas gestações recebeu acompanhamento da escola. ‘‘A gente é acompanhada de perto e os médicos sabem de todos os detalhes. Isso dá mais segurança’’, disse.
  Para o secretário de Saúde do município, Ribamar Maroneze, a iniciativa apresenta resultados satisfatórios. ‘‘A partir dos primeiros anos do projeto, percebemos a diminuição da mortalidade infantil. Comparando com 2003, os números atuais mostram redução de 37 óbitos em menores de um ano (a cada mil nascidos) para 24 óbitos para 1.716 nascidos’’. Cerca de seis mil bebês já nasceram na cidade com acompanhamento da Escola.
  A centralização do atendimento na Escola é um dos maiores ganhos, segundo o secretário. ‘‘Todo o acompanhamento é feito com pessoas especializadas, o que garante um atendimento diferenciado’’.

mockup