Escola de futebol tira menores de ruas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999
Alexandre Sanches e Luciane Tonon 
O futebol de salão tem virado a cabeça - no bom sentido - de crianças e adolescentes entre 7 e 15 anos, em Cornélio Procópio. Desde novembro do ano passado, a Escola Municipal Nilson Batista Ribas está sediando uma escolinha de futsal como terapia ocupacional extra-sala. O projeto, que vai além do esporte, é uma iniciativa da Autarquia Municipal de Esportes e Recreação (Amesp) e está sendo patrocinado pelo Hotel Aguativa.
Hoje são cerca de 170 alunos provenientes de várias escolas. Eles passam a tarde aprendendo a jogar futebol. As meninas também marcam presença e já estão disputando amistosos em cidades vizinhas.
O maior objetivo do projeto, além de despertar o interesse pelo esporte, é proporcionar orientações básicas de saúde, higiene corporal, comportamento e desempenho escolar, explica o coordenador geral da Amesp, Joni Silva Correia. Segundo ele, a única condição imposta para que a criança participe é que esteja matriculada em alguma escola.
Os participantes recebem uniforme completo com camiseta, calção, meia e tênis. A escola também oferece merenda. É muito importante a gente ter uma atividade para nosso desenvolvimento físico, comenta o estudante da 7ª série do Colégio Pica-Pau, Fernando Freire Martins, 13 anos.
Se eu estivesse em casa não estaria fazendo nada, ou estaria brincando na rua, diz o aluno da 7ª série da Escola Estadual Zulmira Marquese, Éder Júnior de Oliveira, 13 anos. Ronaldo Nagi, 15 anos, que é aluno do Colégio Estadual André Selgline, acredita que participar da escolinha pode ser o começo de uma carreira. É a chance que a gente tem de demonstrar nosso futebol e partir para outros times, afirma.
Quem está contente com o projeto, são os pais e professores. Segundo a diretora da escola, Maria Amélia Costa Bertello, 36 anos, o comportamento das crianças mudou significativamente. Podemos notar diferença em 100% nas salas de aula. Para continuarem na escolinha, eles têm que mostrar mudança, diz a diretora.
Ela informou ainda que o projeto foi apresentado para a Associação de Bairros da Vila Santa Terezinha e Vila Popular (locais próximos à escola) e houve boa recepção. Teremos que abrir turma de treinamento no período da manhã porque os pais fazem questão de que o filho participe, acrescentou Maria Amélia.
O professor da escolinha de futebol, Paulo César da Costa Bueno, 31 anos, conta que no início do projeto os meninos eram muito difíceis. Até armados com facas eles vinham para brigar. Hoje, o comportamento é outro. Segundo Bueno, todos os dias antes de cada treinamento é feita uma oração e o respeito mútuo está sendo levado a sério.
Os diretores do Hotel Aguativa pretendem ampliar o projeto, patrocinando um time de futsal adulto para disputar campeonatos estaduais. Com isso, vamos despertar mais o interesse da criança pela modalidade, explica Bueno.


