Unir educação com fonte de renda não é novidade para os 250 alunos da Escola Municipal de Dança de Londrina. Há cinco anos os alunos trabalham com a coleta de lixo reciclável e o resultado da venda era destinado à montagem dos espetáculos das crianças. O coordenador da escola e diretor do Balé de Londrina, Leonardo Ramos, explica que ensinar as crianças a reciclar o lixo é um recurso educativo importante porque ensina o respeito ao meio ambiente ao próprio ser humano.
Ele explica que, apesar de pequeno, o retorno financeiro ajudava os alunos. ‘‘Atendemos crianças de famílias carentes e nosso principal problema sempre foi arrecadar recursos para as apresentações. O dinheiro coletado com o lixo reciclável garantia o espetáculo’’, afirma. No começo, conta, as crianças e familiares levavam para a escola todo tipo de produto reciclável: papel, vidro e latas. Mas com o crescimento da escola e a utilização do espaço físico, a instituição ficou sem local para guardar o material reciclável e passou a coletar apenas latas de refrigerante e cerveja.
Há pouco mais de um ano a escola entrou no programa ‘‘Disk Lata’’ da empresa Coca-Cola e parou de vender as latas. O programa trabalha com permuta e troca as latas por equipamentos que a escola precisa. ‘‘Cada equipamento vale um peso definido de latas. Já conseguimos trocar vários quilos por ventiladores. Nossa meta agora e conseguir uma máquina fotocopiadora’’, diz.
Ramos calcula que a escola precisa arrecadar cerca 1,5 toneladas de latinhas para trocar pela máquina. Os estudantes estão guardando latas há seis meses e já juntaram aproximadamente um coletor e meio - cheio, o coletor da escola comporta cerca de 200 quilos de latinhas. ‘‘A comunidade sempre ajuda bastante. Costumam arrecadar nos condomínios e trazer para a escola nos finais de semana’’, comenta. O diretor da escola acredita que a arrecadação de um ano será o suficiente para conseguir o equipamento.
Fundada em 92, a Escola Municipal de Balé passa agora por uma fase difícil. Ramos explica que o curso de balé clássico tem a duração de oito anos e a proposta da escola é, ao final do curso, colocar profissionais habilitados a integrar qualquer companhia de dança ou professores de dança. Para isto, nos últimos dois anos, a grade curricular inclui aulas teóricas de história da dança e anatomia, entre outras.
O diretor explica que apesar do reconhecimento do trabalho realizado pela Escola de Danças e Companhia de Balé, Londrina ainda está fora do circuito nacional da dança - Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. ‘‘Isto dificulta o acesso aos recursos disponíveis para o setor. Por isto todo trabalho que traga mais estrutura para a escola é importante’’, ressaltou.

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