Escola de dança dá bolsas para carentes
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terça-feira, 08 de setembro de 1998
Alexandre Sanches 
Um grupo de 21 alunos carentes de Bela Vista do Paraíso (40 km ao norte de Londrina), muitos deles filhos de bóias-frias, está passando por uma experiência incomum: fazer aulas particulares de dança, que incluem balé clássico e jazz. As crianças e adolescentes (seis meninos e 15 meninas) fazem parte de um projeto mantido por mães de alunos que participam de aulas particulares na cidade.
O projeto, implantado no início deste ano, mantém aulas de balé para 35 crianças pagantes e para as 21 bolsistas, numa iniciativa inédita no município. A Associação Escola de Dança de Bela Vista do Paraíso conseguiu se transformar em instituição de utilidade pública e luta para conseguir parceiros neste projeto, seja de empresas ou dos governos municipal e estadual, podendo ampliar o número de crianças atendidas.
Pegamos carona num projeto de uma vereadora de montar a escola municipal de dança, onde a prefeitura instalaria a escola e contrataria os professores para alunos carentes, comentou Nanci Elaine Bueno Barros, mãe de aluna. Ela contou que a professora de dança Maria Leila Assis, que manteve por 18 anos uma academia em Bela Vista do Paraíso, deixou as aulas definitivamente no ano passado.
Mário CésarHomensO preconceito dança na escola: meninos de seis a 15 anos ignoram a mentalidade machista da cidadePara não perder a professora e, ao mesmo tempo, possibilitar que crianças carentes pudessem ter acesso à dança, fizeram uma contraproposta de trabalho. Os alunos pagantes garantem os salários e a manutenção do prédio, além do material dos bolsistas.
No final do ano passado foi realizada uma seleção dos alunos bolsistas na creche do distrito de Santa Margarida e no Lar Belavistense. Os mais aptos foram selecionados de grupos com mais de 60 crianças. Todos querem uma chance de participar. As crianças assistem às apresentações realizadas no final do ano e ficam encantadas. A partir daí, cresce o interesse pela dança, salientou a presidente da associação, Nadir de Oliveira.
As mães dos alunos pagantes afirmam que o interesse dos bolsistas é muito grande. Eles dificilmente faltam. E o reflexo das aulas de dança podem ser observados no convívio familiar e no rendimento escolar, disse Nanci Barros. Segundo ela, as crianças saíram das ruas e passaram a ser melhor comportadas em casa. Mas há uma exigência muito grande nos estudos.
Os bolsistas, além de receber todo material, como roupas e sapatilhas para as aulas, e fantasias para as apresentações, participam de intercâmbios com outras instituições e escolas de danças, como as de Ibiporã e Londrina. Os pais dos bolsistas também participam de reuniões periódicas para avaliação das crianças.
Por ser uma cidade pequena (município tem aproximadamente 14 mil habitantes), as mães da associação achavam que a mentalidade machista iria afastar o interesse de meninos pela dança. Entretanto, temos cinco meninos e um adolescente de 16 anos que fazem as aulas conosco e ajudam a difundir a dança, ressaltou Nanci.
Atualmente, a única ajuda que a prefeitura dá para a Associação de Dança é a cessão do prédio para as aulas e a aquisição do uniforme dos bolsistas. As mães avaliam que é bastante para uma cidade do porte de Bela Vista. Mas esperam que, na próxima seleção, prevista para o final deste ano, consigam parcerias que garantam a ampliação do projeto e o número de bolsistas.


