Curitiba - Curitiba ganhou destaque, nesta semana, por abrigar a segunda pior nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em todo o País, obtida pelo Colégio Estadual Para Surdos Alcindo Fanaya, localizado no bairro Vila Izabel.
O ranking das escolas brasileiras foi divulgado pelo Ministério da Educação (MEC).
A diretora da escola, Nerci Martins, considerou o resultado de 2,6 ''um avanço'', pois na instituição, todos os alunos são portadores de necessidades especiais (surdos, surdos-cegos e surdos com dificuldades motoras). Na sua avaliação, a prova deveria ter sido aplicada em libras (linguagem de sinais) considerada a primeira língua dos alunos. ''É como você falar português e fazer uma prova em inglês'', avaliou.
Segundo ela, no início deste ano o educador francês Jean Foucambert, do Instituto Nacional de Pesquisa Pedagógica da França, esteve no Paraná e elogiou o trabalho da instituição. ''Isso porque ele avaliou a forma de expressão através das libras'', explica ela. Na sua opinião, o MEC desconsiderou as características dos alunos na hora de aplicar a prova. O decreto federal nº 5.626, de 2005, garante aos portadores de deficiência auditiva o acesso à comunicação adequada nos processos seletivos.
Em nota, a Secretaria de Estado da Educação avaliou positivamente o resultado do Enem, que teria sido melhor do que o divulgado em 2008. A secretaria informa ainda que, nas 358 escolas que tiveram resultado abaixo da média nacional, será implantado o Programa Superação, com objetivo de identificar e sanar as fragilidades pedagógicas.
O MEC foi procurado por telefone e por e-mail, mas, até o fechamento desta edição não havia se pronunciado sobre a avaliação das escolas especiais.
No Paraná, as melhores notas foram de instituições particulares e federais. O colégio Alpha Teen em Cascavel ficou em primeiro lugar no ranking paranaense, seguido pelo Interativa, de Londrina, ambos particulares. A melhor avaliação em Curitiba ficou com o Colégio Militar, administrado pelo governo federal. Segundo o coronel Luiz Quintino Martins de Figueiredo, diretor de ensino da instituição, o resultado se deve a um bom trabalho realizado sobre três pilares: cognitivo, motor e afetivo. (A.A.)

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