Quase dois meses depois da denúncia publicada pela Folha, estudantes da Escola Estadual Maestro Andrea Nuzzi, no Residencial Castelo Branco, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), continuam tendo que enfrentar aulas em locais improvisados como biblioteca, laboratórios de informática e física, sala dos professores e até na cantina. Tudo por causa da interdição de um dos dois prédios da escola, que apresenta rachaduras nas paredes e colunas em três das seis salas. A escola tem dezoito turmas em três turnos.
Segundo o diretor da escola, Elias Spinassi, o dinheiro para a reforma do prédio foi liberado e a empresa que ganhou a licitação iria assinar ontem o contrato. ‘‘Eu liguei para o Decom (Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção) e foi esta a informação que me deram’’, justificou. Spinassi disse que, a partir da assinatura, a construtora teria um prazo de 15 dias para entregar a obra. ‘‘Estou esperando que os engenheiros da construtora venham segunda-feira para examinar a obra’’.
Josoé de CarvalhoO diretor Elias Spinassi, que aguarda a vinda de engenheirosO problema foi detectado quando teve início o ano letivo, no dia 8 de fevereiro. Na época, foram notadas algumas rachaduras na parede das salas do prédio mais antigo, construído em 1978. Para não colocar os estudantes em risco, a direção da escola decidiu chamar engenheiros do Decom e o Corpo de Bombeiros. A interdição das salas ocorreu no final de fevereiro.
Para o diretor, o defeito da estrutura pode ser mais complicado do que parece. Ele disse que, nestes dois meses, andou fazendo algumas pesquisas e descobriu que o prédio interditado pode ter sido construído em cima de uma tubulação de esgoto. ‘‘Se for realmente isto, vai ser necessário uma reforma maior do que estávamos pensando’’. Spinassi garante que vai exigir uma avaliação completa da construtora licitada. ‘‘Todas as colunas estão trincadas. E isso compromete a estrutura do prédio’’.
No total, a escola atende 2,2 mil alunos divididos em três turnos. ‘‘Com as salas em perfeito estado, tivemos que deixar de atender 200 crianças da região porque não tínhamos mais vagas. Agora a situação está meio caótica’’, admitiu. Segundo o diretor, todas as turmas estão fazendo rodízio nas salas improvisadas para que ninguém seja sacrificado. ‘‘Mesmo assim, dá para ver que a situação não pode continuar por muito tempo’’, apontou.
No laboratório, a pia usada para experiências foi improvisada e serve de mesa para a professora. Já na sala de informática, os computadores tiveram que ser colocados em um canto para dar espaço às carteiras. Na biblioteca, crianças dividem espaço com livros e revistas. ‘‘Os professores estão sem sala para preparar aulas e descansar. Tivemos que desalojá-los para não ter mais que por as crianças para estudar na quadra, que não tem nem cobertura’’.Josoé de CarvalhoAlunos durante aula no laboratório de informática: improvisoTelma Elorza

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