Mauricio Della Barba
De Londrina
Um bolo de 18 metros com mais de 350 quilos serviu para comemorar os 64 anos de existência do Colégio Estadual Olavo Bilac, em Cambé. A escola, uma das mais antigas do Norte do Paraná, foi fundada no ano de 1935, e serviu como um dos pilares do crescimento de toda a região.
A história e a data exata da criação da escola ainda são motivo de muitas dúvidas. A diretoria está à procura de dados e mais informações que possam esclarecer e ajudar na construção da memória do Olavo Bilac. A festa de aniversário foi realizada na semana passada.
‘‘Muita coisa foi perdida com o tempo. Além disso, na época não existia uma consciência histórica e uma organização de documentos’’, diz o ex-aluno e agora diretor-auxiliar do Olavo Bilac, Gervásio Franzoni. O diretor, que desenvolve uma pesquisa histórica, luta atrás de informações e espera encontrar ex-alunos, professores e funcionários que ainda guardam fotos, recordações ou dados importantes.
A história do Olavo Bilac começa quando Cambé era ainda um distrito de Londrina, chamado Nova Dantzig. O colégio, que adotava o mesmo nome do distrito, foi criado a partir de um escola particular localizada entre a Avenida Inglaterra e Rua Brasil, bem no centro do distrito.
O Governo do Estado, na época, transformou-a em escola pública e a transferiu para uma casa de madeira em frente à Igreja Matriz. Junto com a estatização do colégio surgiu também a primeira professora estadual de Cambé e umas das primeiras do Estado, Isaura Ferreira Neves. ‘‘Temos esse fato como o marco oficial de criação do Colégio Olavo Bilac’’, afirma Franzoni.
A mudança do nome de Grupo Escolar Nova Dantzig para Colégio Olavo Bilac só veio acontecer 14 anos depois, em 1949, com a construção do prédio onde atualmente se encontram as instalações. Durante esse tempo, a escola Nova Dantzig teve vários locais onde abrigava as salas de aula, inclusive a antiga Escola Alemã, criada pelos pioneiros alemães que povoaram o vilarejo. ‘‘É justamente neste período, entre 1935 e 1942, onde existem as menores informações’’, diz o diretor.
Sabe-se que o prédio do Olavo Bilac completa 50 anos em 1999, mas não se tem certeza da data exata de inauguração. O que garante o ano é uma placa de bronze afixada na entrada do colégio, onde consta o nome do governador Moysés Lupion e o ano de 1949 escrito em números romanos. ‘‘Acredito que haja alguma notícia publicada em jornal pelo fato da presença do governador na cidade’’, salientou Franzoni.
O diretor do Olavo Bilac faz questão de ressaltar que o colégio foi pioneiro na adoção do ‘‘Escritório Modelo’’, que simula a real experiência de trabalho para alunos do curso profissionalizante em Contabilidade; e de uma sala de informática. ‘‘Toda a construção das salas e a compra dos equipamentos foram feitas com nossos próprios recursos, bem antes dos projetos do governo’’, explicou Franzoni.
Nestes 64 anos de existência, o diretor do Olavo Bilac acredita que mais de 100 mil alunos já passaram pelas salas de aula do colégio. Atualmente, a escola, com seis prédios que ocupam toda uma quadra no centro de Cambé, ensina cerca de 3 mil crianças em três turnos, matutino, vespertino e noturno. O colégio que tem atuação no ensino fundamental, médio e também profissionalizante – um dos últimos do Estado a oferecer a opção – emprega 120 professores e 30 funcionários.
Segundo Franzoni, a principal dificuldade do colégio é a sua manutenção. ‘‘O Estado só nos repassa R$ 1.800 por mês para a manutenção da escola. Com 64 anos de idade, o gasto para conservar e deixá-la em ordem é muito maior do que isso’’, reclama o diretor. O Governo Estadual é responsável também pela folha de pagamento e pelo consumo de água e energia.
Apesar da dificuldade, as instalações do Olavo Bilac estão em ótimas condições. ‘‘A ajuda da comunidade é muito importante’’, diz Franzoni.Direção do Colégio Olavo Bilac, um dos mais antigos do Norte do Paraná, procura documentos sobre sua história
Dorico da SilvaFESTA DE PESOPara comemorar os 64 anos da escola, um bolo gigante foi preparado, com 18 metros e 350 quilos: instituição foi um dos pilares do crescimento da região norteDorico da SilvaPaulo WolfgangJosoé de CarvalhoIsaura Ferreira Neves (acima, à direita) foi a primeira professora estadual de Cambé. Filha de um vendedor da Companhia de Terras Norte do Paraná e natural do Estado de São Paulo, ela veio para a região contra a vontade do pai. Fachada do prédio ocupado pelo Colégio Olavo Bilac, há 50 anos (acima). Ontem, pela manhã, os moradores de Cambé pararam para ver o desfile em comemoração aos 52 anos do município (ao lado)

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