Lino Ramos
De Londrina
A Escola Municipal Leonor Maestri de Held, localizada no Jardim Santa Rita, zona oeste de Londrina, vai encaminhar 500 cartas aos políticos, veículos de comunicação e artistas de várias partes do país, como forma de lembrar o aniversário do descobrimento oficial do País. O projeto desenvolvido por cinco professoras da 2ª série do primeiro grau envolve mais de 160 alunos e seus familiares, que estão colocando nas cartas suas expectativas e desejos para os próximos 50 anos.
Maria Teresa Benedeti Cardozo, supervisora da escola, afirma que a proposta surgiu no início do ano letivo e cada criança escreveu uma média de três cartas com a ajuda de seus pais. ‘‘São 500 cartas simbolizando os 500 anos do descobrimento’’, resume. Idealizadora do projeto, a professora Neusa Maria Luizão Góes afirma que a idéia surgiu depois que ela viu na televisão uma reportagem sobre um jornalista estrangeiro que decidiu enviar cartas falando sobre a paz a várias pessoas famosas, como Madre Teresa de Calcutá e o líder budista Dalai Lama. Suas colegas aceitaram a idéia na primeira reunião pedagógica do ano. ‘‘As crianças estão reivindicando o que discutiram com a família. As professoras sugeriram aos pais o que já ocorreu nesses 500 anos e o que pode acontecer a partir de agora’’, explica.
Desemprego, saúde, educação, violência, política, corrupção, além de sonhos. As cartas escritas pelos alunos com média de sete anos irão cobrar dos destinatários uma maneira de tornar o Brasil um país mais justo. Leonardo Fernando de Oliveira pede ao presidente Fernando Henrique Cardoso ‘‘que um lar, um teto para morar, seja direito de todo cidadão e que todos vivam com dignidade em um país cheio de pessoas’’. Ele ainda pede ao presidente para evitar ‘‘que o sofrimento da fome não faça os jovens que foram crianças virarem ladrões para roubar os nossos lares’’. Leonardo Oliveira também cobra do presidente mais investimentos para a educação e melhorias nas escolas brasileiras.
Velasque Delean da Silva preferiu escrever ao boxeador baiano Acelino de Freitas, o ‘‘Popó’’. ‘‘Pedi para ele vir na minha casa’’, conta. Thais Alves Hilario escreveu para a apresentadora de televisão Angélica e ao governo do Estado, pedindo mais emprego. ‘‘Quero que ele ajude a arrumar um emprego para minha mãe’’, afirma. A menina também pede na carta para os políticos serem mais honestos e ajudar as crianças. Já Fernanda Cavalcante Sbizera mandou uma carta ao deputado Renato ‘‘Gaúcho’’ Loss, de Curitiba, cobrando ajuda para acabar com a violência e aumentar os salários.
Animadas com o trabalho, as professoras destacam a repercussão positiva da proposta junto à comunidade escolar. Cleonice Aparecida Gonçalez da Silva explica que a escola sugeriu aos pais uma lista com 500 nomes para o endereçamento das cartas. Maria Angela Romanholi Vicente lembra que o escolhido para receber a carta também será cobrado a fazer algo para ajudar a garantir a certeza de um futuro melhor para as crianças. Para Nidelci Rainato Vieira o resultado prático da atividade pedagógica foi uma motivação maior dos alunos em sala de aula. Darci dos Santos Silva Vitorino não escondeu a emoção com a festa da criançada e disse que apesar de ser um projeto trabalhoso, o resultado foi além do esperado.‘‘Um lar e um teto sejam direitos de todos os cidadãos’’, escreve o aluno Leonardo Fernando de Oliveira ao presidente FHC
Dorico da SilvaPELO DESCOBRIMENTOCom a ajuda dos pais, alunos escreveram 500 cartas para políticos, artistas e veículos de comunicaçãoDorico da SilvaParte da carta escrita por Leonardo Fernando de Oliveira ao presidente FHC: ‘‘Que o sofrimento da fome não faça os jovens que foram crianças virarem ladrões para roubar os nossos lares’’

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