Paulo Pegoraro
Alunos e professores do Colégio Estadual Eleodoro Ébano Pereira, o mais antigo (criado em 1932) e central de Cascavel e com maior número de alunos, comemoraram ontem o que classificam de ‘‘vitória da persistência’’, tomando posse formalmente do prédio que até o final do ano passado abrigava o Fórum da Comarca. O edifício, pertencente ao Estado, de três pavimentos e com mais de 2 mil metros quadrados, é separado da escola apenas por um muro, na mesma quadra. Vários órgãos públicos, inclusive a Câmara Municipal, disputaram o imóvel.
A comunidade escolar manteve mobilização durante dois anos, pressionando o governo para que cedesse o prédio para onde seriam transferidos vários setores, além de abrir espaço para mais alunos nas próprias instalações do estabelecimento. O ato de posse também levou ao prédio várias autoridades, entre elas o prefeito Salazar Barreiros (PPB). A chave da porta principal foi entregue pela chefe do Núcleo Regional de Educação, professora Marise Luvison, em nome do Estado, à diretora do colégio professora Marlene de Jesus Dias, que estava emocionada.
‘‘Vencemos pela persistência’’, disse a diretora, depois de erguer a chave sob aplausos dos alunos. No início do ano, quando uma comitiva de pais e professores esteve no prédio ainda ocupado por promotores públicos para ‘‘pressionar’’ - ‘‘educadamente’’, segundo Marlene - pela desocupação, deparou-se com policiais armados de metralhadora, o que foi entendido como intimidação. Os juízes se mudaram no final do ano passado para o novo Fórum, mas nele não haviam sido preparadas as salas dos promotores.
A direção da escola insistiu em obter compromissos de vários secretários estaduais e do próprio governador Jaime Lerner (PFL) para a cessão do edifício, mas houve demora na liberação - os promotores só saíram em maio. Agora, começa a transferência da administração, laboratórios, biblioteca, e também o contraturno e salas para os 60 deficientes visuais que frequentam aulas.
Com o prédio, o Eleodoro Ébano Pereira, que tem cerca de 2,5 mil alunos, abrirá salas para mais 500 no próximo ano. Segundo Marlene de Jesus Dias, a comunidade escolar já está preparada ‘‘para a segunda batalha’’: conseguir a liberação de R$ 1 milhão do programa estadual Proem para reformas e melhorias. Com isso, será possível melhorar as instalações originais do estabelecimento e fazer reparos no prédio conquistado - há goteiras, as instalações elétricas e a circulação de ar são deficientes e faltam sanitários.

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