Escola cancela aulas por causa da violência
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quinta-feira, 22 de março de 2007
Adriana Ito<BR>Reportagem Local 
''A violência é geral, falta segurança em todo o País, e isso agora está se refletindo diretamente nas escolas. Demorou, mas agora chegou às salas de aula.'' A frase, de uma diretora (que não quis se identificar) da Escola Estadual Ana Molina Garcia, na Vila Ricardo (Zona Leste de Londrina), resume a situação pela qual têm passado milhares de professores de escolas públicas em todo o Brasil.
As agressões verbais e atos de vandalismo têm sido cada vez mais comuns, e em Londrina não é diferente. Mas, na última terça-feira, a situação chegou ao extremo em uma escola da Zona Leste. Um estudante do período noturno agrediu uma professora com uma barra de ferro, fugindo logo em seguida. Em consequência disso, as aulas à noite foram suspensas na quarta-feira, e ontem os diretores, professores e alunos da escola fizeram uma paralisação que durou todo o dia.
''Queremos comover a comunidade, os pais de alunos de outros turnos também, em razão desse problema. Nós estamos preparados para lidar com indisciplina, mas não com violência e vandalismo'', alegou a diretora. ''Se não forem tomadas providências imediatas, daqui a algum tempo não haverá como reverter esse quadro. É preciso que os órgãos responsáveis se mobilizem. Os professores não podem mais continuar nessa linha de frente da violência'', alertou.
O aluno agressor, que aos 20 anos está na 8 série, deve ser expulso da instituição. ''Já tentamos conversar com ele diversas vezes. Ele sempre fala que vai mudar, mas sequer retira as ameaças'', conta um professor.
Com o braço engessado, e acompanhada de uma diretora e uma outra professora, ambas também ameaçadas, a vítima foi registrar queixa na Delegacia da Mulher na manhã de ontem, após duas tentativas frustradas na 10 Subdivisão Policial e no 2º Distrito.
Campo de batalha - Na noite de terça-feira, o aluno em questão já teria chegado alterado à escola. Os professores suspeitam que estivesse drogado. Depois, tentou quebrar a mesa de tênis do colégio, foi ao laboratório, pegou uma carteira e fez menção de que ia lançá-la sobre uma professora. Foi quando uma diretora interveio, mandando o aluno de volta à sala de aula. ''Ele entrou chutando a porta, até quebrou. A professora pediu calma, ele começou a xingá-la. Saiu da sala, foi acompanhado pela vice-diretora, a professora atrás. Foi quando ele pegou a barra de ferro'', conta Luci de Miranda Villani, que leciona história para o período noturno.
Depois, segundo ela, foi tudo muito rápido. O jovem teria erguido a barra com as duas mãos para golpear a professora, que colocou o braço sobre a cabeça para se proteger. Enquanto isso outro professor puxava o estudante para trás. ''Se não fosse isso, ela poderia até ter morrido'', relembra, assustada, acrescentando que outros alunos ficavam incitando o jovem a cometer a violência. Os alunos de outras salas notaram a movimentação e saíram para o pátio, alguns incentivando e outros querendo bater no estudante agressor. ''Aquilo ia virar um campo de batalha, e só não foi pior porque o estudante fugiu. Mas outros jovens soltaram várias bombas, e incendiaram as cortinas de uma das salas.''
Segundo a professora, desde o começo do ano os estudantes vinham detonando bombas na escola praticamente todas as noites, o que só cessou depois da reportagem publicada na FOLHA há pouco mais de uma semana sobre o assunto.


