Paulo Pegoraro
A sistemática do Exame Nacional de Curso e do Exame Nacional do Ensino Médio de fazer avaliação do processo ensino-aprendizagem - respectivamente no terceiro e segundo graus - sem interferir na vida escolar do estudante já é aplicada em Cascavel desde 1991 pelo Colégio Estadual Eleodoro Ébano Pereira. O estabelecimento, com 2,5 mil alunos de primeiro e segundo graus, é o único do Estado que eliminou a nota obtida em provas como fator determinante para aprovação. O projeto tem respaldo da Secretaria Estadual de Educação.
A professora Marlei Fasolo Bueno, vice-diretora do colégio, diz que os dois exames nacionais são ‘‘ótimas formas de avaliar o aluno, o professor e a própria escola’’. Para ela, a metodologia utilizada no Eleodoro Ébano Pereira ‘‘tem mostrado resultados excepcionais’’. Os alunos fazem provas, mas há oito anos nenhum deles é reprovado e o índice de evasão é inexpressivo. Os que demonstram alguma dificuldade de aprendizado têm acompanhamento especial dos professores e participação dos pais. A escola exige dos alunos frequência às aulas.
Dificuldades específicas sobre matérias curriculares apresentadas durante o ano pelos alunos são solucionadas no ano seguinte. ‘‘Pode parecer complicado, mas não é porque na verdade fazemos uma avaliação sobre o desempenho como um todo e não especificamente em uma matéria’’, explica Marlei. O professor Tarcísio Vanderlinde, presidente da Comissão de Vestibular da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), também defende o método. Da Unioste, 328 alunos farão hoje o Provão.
A Unioeste estuda a possibilidade de eliminar o vestibular, utilizando em seu lugar a avaliação do aluno no segundo grau. ‘‘Os exames do MEC são um começo para avaliar estudantes e escolas, mas acho que o Enem ainda não pode ser encarado como substituto do vestibular’’, diz Alexandre Webber, presidente do Diretório Central dos Estudantes . Segundo Alexandre, o vestibular nivela as possibilidades dos candidatos, aprovando quem efetivamente se preparou pensando em entrar numa universidade’’.
Na Unioeste farão o Provão os alunos dos cursos de engenharia química, engenharia civil, administração, ciências econômicas, letras e matemática dos quatro câmpus da instituição (Cascavel, Foz do Iguaçu, Toledo e Marechal Cândido Rondon). Segundo a pró-reitoria de graduação, Norma Golfetto, a expectativa é de que a Unioeste possa pelo menos repetir o resultado do ano anterior, quando foi classificada como a 38ª entre as universidades brasileiras.

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