Para a doutora em educação Adreana Dulcina Platt, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a escola tem a função social de multiplicar o conhecimento adquirido pela sociedade ao longo dos séculos. ''É o aparelho do Estado onde são formados cidadãos, consumidores e trabalhadores'', define.
Ela cita que cada período da história destaca um novo conhecimento, que só é acumulado a partir da interação entre as pessoas. ''Um indivíduo só se faz a partir do outro. Sujeito longe da interação faz parte da espécie humana mas não é ser humano.''
Para Adreana, a escola agrega elemento fundamental para o crescimento individual: o conflito. ''Pai sempre evita o conflito, a escola não. É uma hierarquia nova, com colegas que pensam diferente, onde a criança descobre possibilidades e limites.'' Segundo ela, a criança precisa sair de si para conhecer a realidade.
''Criança tem que aprender a fazer escolhas. Autonomia não se concede, se adquire'', dizeclara Adreana, reforçando que por mais que os pais não gostem de expor os filhos, ''vivemos numa teia de relações''.
Para a professora, filhos educados em casa sempre obterão resultados positivos quando comparados ao homem médio, mas todo indivíduo é ele e suas circunstâncias. ''Esse pai deveria exercer seu papel de cidadão e fazer parte do sistema, participando da discussão. Seria um ganho para a escola.''
Ela entende o pessimismo com os índices de proficiência da educação e até em relação a situação moral das escolas, mas defende que não há porque zelar tanto pelo filho para depois perdê-lo.
''O problema da humanidade é o conformismo, é não querer sair da zona de conforto. Se a criança sempre negocia caráter, ela não aprendeu nada'', exalta a professora, para quem o jovem não deve ter uma opinião de regra, mas sim de conteúdo. ''Desviar e voltar é natural do ser humano. Quanto mais eu interfiro, mas cresço. Me aproprio dos espaços sociais e exercito o que foi ensinado.''(M.G.)

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