Paulo Pegoraro
De Cascavel
Diretores, professores, pais e alunos da Escola Estadual Eleodoro Ébano Pereira realizaram ato, ontem, em um pequeno afluente do Rio das Antas, no centro de Cascavel. A manifestação simbolizou a ‘‘adoção’’ do poluído curso d’água para lutar pela recuperação e preservação. O rio tem sido alvo de discursos de políticos e dirigentes de órgãos ambientais, mas nenhuma ação prática foi empreendida. A escola promete fazer uma campanha acirrada. ‘‘Todos sabem que a Eleodoro é briguenta e não desiste’’, afirmou a diretora do colégio mais antigo da cidade, Marlene Dias.
Uma das demonstrações da disposição de luta da comunidade escolar foi dada no início do ano, quando o colégio, com três mil alunos, localizado no centro, assumiu o vizinho prédio do antigo Fórum, depois de um ano de mobilização. Para isso, realizou manifestações, mobilizou a comunidade e a imprensa, e venceu outros órgãos que também tinham interesse no prédio. Agora, o colégio se volta para o projeto ‘‘Este rio é nosso’’.
O Rio das Antas tem algumas nascentes a cinco quadras da escola, atravessa zonas residenciais, e deságua no Rio São Francisco, na vizinha cidade de Toledo, onde servirá futuramente como manancial de abastecimento. Águas possíveis de aproveitamento para o consumo devem ter no máximo 1.000 coliformes fecais por 100 ml de líquido. O das Antas chegou a apresentar 40.000 x 100 ml, em uma análise feita pela Sanepar. A análise bacteriológica só mede até aquele limite, por isso é possível que a contaminação seja superior.
Ao longo de seu curso o rio recebe esgotos domésticos, despejos de galinheiros e pocilgas, e lixo de todo tipo. Ontem, além de recolher lixo e percorrer trechos do afluente (sem nome) do rio, 40 alunos estiveram na casa de Marta Macedo, 66 anos, quatro filhos, há 20 anos residindo no local. O esgoto da casa vai direto para o curso d’água, o mau cheiro é intenso, mas ela reclama de outros moradores. ‘‘Enquanto eles não fizerem nada não adianta a gente fazer’’, diz.
‘‘Os políticos e o pessoal dos órgãos vêm aqui, falam, falam, e nunca fazem nada’’, critica Marta. No terreno da vizinha Édina Xavier, 31 anos, sete filhos e há 30 anos no local, há uma pocilga que despeja efluentes no rio. ‘‘Mas tem um porco só’’, argumenta Édina. Ela diz que alguns filhos seus (seis estudam na Eleodoro) têm ‘‘amarelão’’, o que atribui à água.
Marlene Dias reconhece que periodicamente são realizados atos como os de sua escola, sem nenhum resultado. Ela garante que ‘‘erra quem pensa que este é apenas mais um’’. ‘‘Vamos fazer nossa parte e, tenham certeza, não é uma brincadeira com alunos.’’ Segundo a diretora, o projeto ‘‘Este rio é nosso’’ compreende conscientização da comunidade ribeirinha e pressão sobre autoridades. Técnicos do setor ambiental apontam como solução para o Rio das Antas a remoção das populações ribeirinhas, impedimento despejos industriais e criação de um parque linear em suas margens.Estudantes e professores prometem pressionar autoridades para garantir a recuperação do Rio das Antas
Edson Mazzetto‘‘ESTE RIO É NOSSO’’Ontem, alunos recolheram lixo, constataram fontes poluidoras e conheceram moradores das margens

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