Escola abandonada vira ponto de delinqüentes
Da Rua Amapá (Centro de Londrina), o mato alto e o desnível do terreno impedem a visão de quem passa. Mas para os moradores do quarteirão onde fica a antiga Escola Estadual Benjamim Constant, o abandono do prédio há cerca de um ano significou aumento da criminalidade na região. As salas de aula foram invadidas e depredadas e se transformaram em um grande mocó.
Sem revelarem suas identidades por medo de represálias, moradores contaram que o quarteirão virou ponto de tráfico e uso de drogas. Os traficantes ficam sobre as árvores espiando o movimento e espreitando a chegada e saída de pessoas das casas. De acordo com o grupo de reclamantes, todas as casas já foram invadidas e assaltadas. O caso mais recente aconteceu por volta das 12h30 do último domingo, quando uma moradora abria o portão. ''Eram dois rapazes que falaram que estavam armados e levaram a minha bolsa'', relatou a vítima. Os dois fugiram em direção ao prédio abandonado.
O medo de assaltos faz os moradores se trancarem em casa depois que anoitece. É a noite também que as salas da antiga Escola Estadual Benjamim Constant são usadas para toda sorte de ilicitudes. ''Eles entram para usar drogas e fazer coisas até piores. A gente tranca tudo a noite só que de manhã já tem gente dentro das salas de novo'', disse a dona-de-casa Rosimeire Saraiva de Morais, que mora numa casa dentro da escola com o marido funcionário da Prefeitura e dois filhos.
A família está de mudança para o Distrito de Lerroville (Zona Sul) depois que há uma semana, a casa foi arrombada pela manhã e os ladrões levaram equipamentos eletrônicos e até fotos. No prédio, pedreiros trabalhavam na tarde de ontem na reforma de três salas que serão utilizadas para turmas gratuitas de um curso pré-vestibular.
O secretário Municipal do Ambiente, Cleidival Fruzeri, esteve no local e garantiu que as quatro grandes árvores da rua serão erradicadas nos próximos dias. A assessora jurídica da Secretaria Municipal de Educação, Karen Ikeda, rebateu as afirmações de que o prédio esteja abandonado. Segundo ela, o caseiro toma conta inclusive nos finais de semana e lá também funciona uma parte da diretoria de informática. Ela explicou que o prédio foi cedido pelo Estado ao Município e que um processo de licitação para obras de reforma está sendo iniciado.





