Esclerose múltipla: uma ameaça silenciosa
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sexta-feira, 03 de setembro de 2010
Fernanda Borges<BR>Reportagem Local 
Se você tem entre 20 e 40 anos, pele branca, sente fraqueza, desequilíbrio nas pernas, além de estar com a visão distorcida e com dificuldade motora, fique atento: você pode ser portador de Esclerose Múltipla (EM). A doença inflamatória autoimune ainda é pouco conhecida e muitos pacientes deixam de receber tratamento adequado por diagnosticá-la muito tarde.
Com objetivo de alertar a população sobre a importância da ampliação do conhecimento sobre a doença, a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem) promove a 5ªSemana Nacional de Conscientização da Esclerose Múltipla. Em Londrina, integrantes da Associação Londrinense dos Portadores de Esclerose Múltipla (Alpem) se concentram hoje no Calçadão para esclarecer a população sobre a doença.
Dados da Abem apontam que hoje existem mais de 30 mil pacientes diagnosticados com a doença, mas apenas 5 mil recebem tratamento adequado. A EM é a segunda doença cerebral que mais afeta a população, perdendo para o AVC (acidente vascular cerebral). Em Londrina, o número de portadores de EM é de 15 para cada 100 mil habitantes.
O neurologista Damacio Ramón Maciel, responsável pelo Centro de Referência de Doenças Desmielinizanres e Degenerativas do Ambulatório de Neurologia do Hospital das Clínicas (HC) de Londrina, explica que os pacientes que apresentam alterações cognitivas podem ter suas atividades cotidianas bastante afetadas caso não recebam tratamento.
Ocorre o primeiro surto de comprometimento do sistema nervoso central. No segundo surto o paciente pode apresentar alguns sintomas, voltar ao normal e depois esses sintomas voltam a aparecer. Por isso é importante que no momento do primeiro surto sejam feitos exames complementares que incluem ressonância magnética do crânio e medula, punção liquórica e análise geral sanguínea. Com esses resultados é possível apontar o diagnótico e iniciar o tratamento, explica.
Pesquisas revelam que o tratamento precoce, quando surge o primeiro evento sugestivo de EM, foi associado à melhora da função cognitiva em pacientes com até dois anos de diagnóstico da doença. A presidente da Alpem, Célia Bernal Martins, portadora da doença há dez anos, enfatiza a importância do diagnóstico precoce. Cheguei a perder o movimento das pernas por um tempo, mas consegui superar o problema porque iniciei o tratamento bem cedo. Hoje não convivo com nenhuma sequela e levo um vida normal, disse. Em Londrina, o número de portadores da doença é de 15 para cada 100 mil habitantes.
O movimento pela 5ªSemana Nacional de Conscientização da Esclerose Múltipla será hoje, a partir das 9 horas, no Calçadão, em Londrina. Interessados em
informações sobre a doença podem participar de encontro mensal com médicos na Paróquia Sagrados Corações (Rua Mato Grosso, 1.167, fone 3344-3676 ),
todas as terceiras quintas-feiras do mês, às 20 horas.


