Londrina - A esclerose múltipla atinge 14 pessoas a cada 100 mil habitantes em Londrina. A informação é do neurologista Damacio Ramon, responsável pelo Centro de Referência de Doenças Desmielizantes do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que atende cerca de 230 pacientes.
Segundo ele, a esclerose múltipla (EM) é uma patologia desmielizante, que destrói as bainhas de mielina que recobrem e isolam as fibras nervosas. ''A doença atinge principalmente aqueles que estão na faixa etária entre 20 e 55 anos'', explica.
Os sintomas da doença, de acordo com o médico, são a diminuição da acuidade visual (a pessoa passa a enxergar duas imagens), crises vertiginosas, alterações sensitivas, queixas motoras e perda da força nos braços e nas pernas. O tratamento pode ser feito com imunomoduladores, imunossupressores ou anticorpos monoclonais.
Uma pesquisa realizada pela Bayer HealthCare Pharmaceuticals com 650 pessoas diagnosticadas com a esclerose múltipla em 12 países, entre eles o Brasil, demonstrou que oito entre dez pessoas se sentiram ansiosas e confusas no momento do diagnóstico, sendo os maiores medos eram dos pacientes ficarem inválidos (65%) e se tornarem um peso para a família (61%). Em relação à carreira, cerca de 60% dos entrevistados ficaram preocupados com a capacidade de executar o trabalho. Sobre a vida afetiva a preocupação era saber se o parceiro se tornaria um cuidador (45%) e se teria que assumir suas responsabilidades (42%)
Para ajudar a superar esses medos o escritor e jornalista Aldo Novak ministrou recentemente uma palestra no Hotel Blue Tree com o tema ''O Segredo da Superação'', em que ele afirma que tal qual os aviões e barcos, que ficam fora do curso durante boa parte do trajeto, as pessoas devem saber corrigir os seus rumos para chegar ao lugar certo. '' O segredo é voltar à rota para que ele não bata nas rochas'', explica.
Ele diz que a esclerose não é uma doença que mata, mas trata-se de um conjunto de coisas que não está claro. ''Muitas vezes as pessoas usam a esclerose como muleta, para não fazer aquilo que não iriam fazer de qualquer jeito'', afirma. ''As pessoas acham que têm um problema maior do que realmente têm, mas quando a pessoa tira o peso do desconhecido fica mais mais fácil lidar com isso'', comenta.
A presidente da Associação Londrinense dos Portadores de Esclerose Múltipla, Célia Bernal, conta que sua vida mudou muito desde que recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla. Ela era professora de Biologia e pretendia trabalhar em um laboratório, mas agora não pode dirigir, precisa de ajuda para se alimentar e não pode assumir compromissos com data marcada, pois não sabe quando pode ser atingida por uma crise.
Ela conta que a maior dificuldade da associação é não possuir uma sede própria onde as pessoas possam ser atendidas e por onde possam ser feitas solicitações de verbas para ajudar os associados.
Serviço
O Ambulatório de Doenças Degenerativas atende às segundas-feiras à tarde e às terças-feiras de manhã. O telefone é 3371-2000.

mockup