Arquivo FolhaNada a declararO promotor Bruno Galatti, autor de denúncias: sem comentáriosA revelação dos nomes dos vereadores indiciados pelo promotor Bruno Galatti, por envolvimento no escândalo na Comurb, tomou conta dos debates de ontem na Câmara Municipal.
A vereadora Elza Correia (sem partido) manifestou indignação ao ver nomes de vereadores nas páginas dos jornais. Ela destacou a necessidade de que a Câmara assegure amplo direito de defesa aos acusados. E defendeu ‘‘punição rigorosa’’ se ficar comprovada falta de decoro parlamentar. ‘‘Apesar de compreender as demandas de muitas pessoas, que procuram os vereadores em busca de favores, a Câmara precisa resgatar o seu papel e contribuir com propostas de políticas públicas e não com favorecimentos.’’
Salvador Francisco (PSDB), membro da Comissão Especial de Inquérito (CEI), criada em setembro do ano passado, quando houve denúncia de irregularidades na contratação de funcionários pela Comurb, disse que há ‘‘pelo menos quatro’’ situações distintas de envolvimento de vereadores. ‘‘O objetivo da CEI é esclarecer as situações. Havendo o comprometimento de algum vereador, e o plenário da Câmara aprovando o relatório da Comissão de Inquérito, será instaurada uma comissão processante, que atuará no procedimento de cassação do mandato’’, explica Salvador Francisco.
O vereador presidente da CEI, Flávio Vedoato (PTB), explicou que a Comissão foi criada para apurar se algum vereador se apropriou indevidamente de salário de funcionário contratado pela Comurb. ‘‘Outras questões devem ser apuradas na ação civil pública proposta pelo promotor Bruno Galatti.’’
Arquivo FolhaReaçãoO prefeito Antonio Belinati: pedido de afastamento do promotor
Célio Guergoletto se defendeu da denúncia atirando contra o promotor Galatti. ‘‘Parafraseando o prefeito Belinati, digo que o promotor é preguiçoso, negligente e apresenta síndrome dos holofotes. Ele não considerou o meu depoimento nem as provas que apresentei na fase de investigação’’, disse Guergoletto. Ele garante que não indicou ninguém para contratação pela Comurb e que, numa reunião do Conselho de Administração da companhia, alertou para a exigência legal de teste seletivo ou concurso até mesmo para contratações em caso excepcional ou emergencial. ‘‘Comprova que eu não compactuava com as contratações. A ata foi entregue ao promotor, mas parece que ele não leu.’’
Sobre a contratação de Paulo Sérgio Ferreira Júnior, que há anos é seu assessor, Guergoletto disse pagou com dinheiro do bolso o salário dele e que nem mesmo esse nome indicou. ‘‘Recebi um telefonema da Comurb e disse apenas que o rapaz trabalhava comigo e que não conheço nada que o desabone. O fato de um assessor ter dois empregos não pode me incriminar.’’
O vereador Jorge Scaff (PDT) iniciou o pronunciamento com um chavão popular: ‘‘Quem cala consente. Vou me calar, mas não consentir. Só falarei no momento oportuno.’’ Apesar da afirmação, Scaff disse que ‘‘vive em Londrina há 52 anos e nunca teve um senão em sua conduta’’. E o vereador Orlando Proença preferiu atacar a imprensa. ‘‘Para alguns segmentos da imprensa eu já deveria ter sido crucificado. Mas não é a existência de dois cheques da Comurb na minha conta - depositados para pagar arrendamento de casa de carne - que vai me incriminar.’’

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