Curitiba - Dois funcionários do Instituto Médico Legal (IML), sob intervenção há 15 dias, foram presos em flagrante na madrugada de ontem acusados de cobrar para liberar um corpo diretamente para funerárias. Os motoristas do IML teriam sido acionados para buscar o corpo por volta das 22 horas. Paulo Roberto Tissot, 36 anos, e Marcos José Camargo, 31 anos, foram buscar o corpo de uma mulher que morreu enquanto o marido dava banho nela, no bairro do Bacacheri, em Curitiba.
A mulher tinha feito uma operação há uma semana e sofria de diabetes. A morte teria sido natural. Os funcionários, segundo relato da família, teriam se apresentado e cobrado R$ 600 para encaminhar o corpo diretamente para uma funcionária - o que evitaria que o corpo fosse ''dilacerado'' para exame. Segundo a denúncia, a família teria ficado sob pressão. Ninguém tinha o dinheiro para pagar os motoristas, mas não aceitava que o corpo da vítima fosse totalmente cortado para exames.
De acordo com o IML, um filho decidiu ir até o órgão para pedir que não houvesse cobrança. Ele relatou ainda que foi abordado por várias funerárias (que estão proibidas de permanecer no pátio do IML) e encontrou um dos responsáveis pela intervenção. Avisados sobre a tentativa de extorsão, a equipe interventora aguardou a chegada dos motoristas - que foram presos em flagrante e responderão por concussão (extorção feita por funcionário público). Eles foram encaminhados para o 1º Distrito Policial. Tissot e Camargo pertencem ao quadro geral do governo e eram cedidos para o IML.
O interventor coronel Almir Porcides Junior, que assumiu a direção do IML há 11 dias, disse que há suspeitas de que os dois tenham feito este tipo de cobrança de outras pessoas. ''Achamos que os motoristas podem ter sido cooptados por uma funerária e agora vamos descobrir qual é.''
O coronel disse que as fiscalizações no IML vão continuar. ''Todos os dias vamos ter um funcionário específico para fiscalizar no horário mais crítico, das 22 horas às 3 horas da manhã'', destacou. Segundo ele, neste período, o IML recebe um número maior de pessoas mortas porque há mais crimes e ocorrências policiais. De acordo com ele, nos finais de semana, cerca de 50 pessoas mortas são encaminhadas ao instituto. Também está em estudos a criação de um disque-denúncia no instituto. (Colaborou Andréa Bertoldi)

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