Milton DóriaCaso de políciaWanderci recebe auditoria da Codel: inquérito vai apurar desvioO comerciante Joselito Tanios Hajjar, conselheiro do Terminal Rodoviário de Londrina (TRL) no período de junho de 1995 a março de 1997, disse ontem acreditar que as irregularidades na arrecadação da taxa de embarque já haviam sido identificadas no ano passado pela administração da Rodoviária. Ele diz que as irregularidades causaram a demissão do encarregado operacional da Rodoviária, ainda em janeiro de 98.
A Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) vai contratar empresas de auditoria para investigar como foi o recolhimento, nos últimos anos, de todas as taxas que formam a receita do Terminal Rodoviário. A decisão foi tomada depois que uma outra investigação, feita pela a Assecon Contábil e Assessoria, constatou que houve desvio, entre os meses de fevereiro e dezembro de 1997, de R$ 53.450,30 referentes a taxas de embarque. As outras fontes de receita da Rodoviária são o estacionamento, a taxa de condomínio, venda de espaço publicitário e guarda-volumes.
Joselito Hajjar questiona o fato do desvio de recurso só ser apurado depois da denúncia da Viação Garcia embora, segundo ele, a administração do Terminal já tivesse conhecimento do fato. Ele acrescenta ainda que o encarregado era o ‘‘braço direito’’ de Washington Dutra Lopes, atual gerente responsável pela administração do Terminal. Por isso, ele acredita ser ‘‘muito difícil’’ que o gerente do Terminal não tivesse conhecimento das irregularidades praticadas no local. ‘‘São 12 os funcionários responsáveis pela arrecadação da taxa de embarque. Mas o Washington administra o Terminal com mão de ferro, ele é muito centralizador.’
O ex-conselheiro afirma ainda que chegou a perguntar ao próprio Washington sobre o afastamento do funcionário, mas a resposta foi evasiva. ‘‘Ele respondeu que foi um negócio meio chato, mas que teria ainda que levantar o que realmente ocorreu’’, afirma. A Folha prefere não divulgar o nome do ex-encarregado até que a investigação policial tenha uma conclusão sobre o episódio.
‘‘Na minha concepção, não existe nada perfeito e pode ter havido falha no recolhimento da taxa. Se aconteceu, vamos tentar achar o responsável e puni-lo’’, diz o gerente do TRL Washington Lopes. Ele garante, porém, que a demissão do encarregado operacional não tem qualquer relação com o desvio da taxa de embarque. ‘‘O próprio funcionário pediu para ser demitido.’
Washington diz também que o encarregado alegou motivos particulares para pedir a demissão. Por isso, ele explica, foi feita uma avaliação que culminou no processo de demissão. Mas não por justa causa, observa. Ele acrescenta que o funcionário era de confiança e responsável por setores importantes na Rodoviária, como controle de passageiros, fiscalização e segurança.
O gerente destaca que ‘‘pode até ser que ele (encarregado operacional) tenha algum coisa’’ com o desvio de recursos da taxa de embarque, mas isso só será respondido com a conclusão da investigação policial. ‘‘Estou muito tranquilo com este problema, apesar de eu não fugir das minhas responsabilidades. Como gerente, o meu trabalho é evitar que isso ocorra.’ Washington Lopes entrou em férias nesta semana. Em seu lugar, entrou interinamente Décio Fernando Zulian.
Na Codel, a informação é que o encarregado operacional não foi demitido por causa do desvio da taxa de embarque. O motivo apresentado na companhia, porém, foi diferente do alegado por Washington: o funcionário teria utilizado um carro do TRL para fins particulares, o que resultaria em demissão por justa causa.
Ontem de manhã, o assessor jurídico da Codel, José Walmir Moro, entregou toda a documentação levantada pela auditoria ao delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Wanderci Corral Fernandes, para que seja aberto inquérito policial com objetivo de identificar o responsável (ou os responsáveis) pelo desvio. O delegado do 2º Distrito Policial, Antônio Zuba de Oliva, comandará a investigação. ‘‘Se for identificado, o funcionário será demitido. Vamos entrar também com ação de ressarcimento e ação penal’’, garante Moro.
A auditoria que descobriu o rombo de mais de R$ 50 mil na Rodoviária foi solicitada depois que a empresa Viação Garcia formalizou as suspeitas de irregularidade junto à própria Codel. Somente a taxa de embarque representa 60% da receita total da Rodoviária, que é de R$ 120 mil mensais. A taxa é cobrada de todo passageiro que sai de Londrina e custava, de cada um, R$ 0,80 até agosto do ano passado; de lá para cá, passou a ser de R$ 1,00. A arrecadação é repassada diariamente para a administração do Terminal - que paga 3% do total às empresas pelo serviço de recolhimento.
O trabalho de auditoria esteve restrito ao recolhimento da taxa junto à Garcia, que além da denúncia mostrou à Codel todas as notas de recolhimento feitas durante 97. Por meio delas, foi possível saber quanto deixou de entrar no caixa do Terminal - e quando. A empresa é responsável pela arrecadação de aproximadamente 50% do total recolhido com a taxa de embarque em Londrina.
Na análise feita pela auditoria, foi constatado que valores correspondentes a 31 dias distintos do ano passado, entre fevereiro e dezembro, deixaram de ser repassados ao Teminal. No total, 680.750 pessoas embarcaram no ano passado em ônibus da Garcia, o que daria uma receita de R$ 581.372 em taxa de embarque, já descontados os 3% a que a empresa tem direito. Mas faltaram os R$ 53 mil.
A partir das novas auditorias, a Codel espera saber se as irregularidades apontadas com a taxa de embarque do ano passado, na Garcia, atingem outras empresas e também se foram praticadas em anos anteriores. José Moro aponta que até o final da semana já estará definido a partir de que ano será feita a investigação, o nome da empresa de auditoria responsável e também quanto tempo esse trabalho deverá levar.

mockup