A Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Vereadores de Londrina que apura as contratações irregulares (sem concurso público) da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) marcou uma reunião para a próxima quarta-feira, dia 17, às 14 horas. Na ocasião será tomado o depoimento de um dos cinco vereadores envolvidos no caso.
A decisão de ouvir novamente os vereadores aconteceu no dia 8 deste mês, depois que os membros da CEI analisaram relatório sobre o caso, enviado pelo promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, e apontamentos da assessoria jurídica da Casa. São acusados pela promotoria são Carlos Kita (PTB), Célio Guergoletto (PMDB), Jorge Scaff (PDT), Orlando Bonilha Proença (PDT), além do ex-vereador Jaci Aguiar (PDT). A CEI também irá tomar tomar os depoimentos do vereador Flávio Vedoato (PTB) e do assessor Antonio Aguilhera Gonçalves Filho.
Flávio Vedoato era presidente da CEI mas, como está viajando, o cargo foi assumido por Tercílio Turini (PSDB). ‘‘Queremos esclarecimentos, para ver se os vereadores têm ou não participação no caso’’, observa Turini. O nome do primeiro vereador a prestar depoimento será escolhido até sexta-feira, segundo ele.
Turini informa que os depoimentos serão tomados a portas fechadas, sem acesso da imprensa. ‘‘Vamos preservar as informações e as pessoas que vão depor. Depois, cabe a elas deicidir se querem passar as informações à imprensa’’, afirma.
Esta decisão contrariou o vereador Guergoletto, que se pronunciou a respeito ontem de manhã, durante sessão da Câmara. ‘‘Eu só vou depor se foi aberto para a comunidade e para a imprensa’’, afirma. ‘‘Também acho que os depoimentos devem ser públicos. Tenho consciência do que fiz e não tenho nada a esconder’’, diz Jorge Scaff.
Guergoletto afirma que o trabalho da comissão está lento. ‘‘Primeiro se nomeia uma comissão e os vereadores são ouvidos. Agora, dizem que vão ouvir tudo de novo. Eu questiono este procedimento.’’
Turini reafirmou que não abrirá exceção para Guergoletto e que os depoimentos serão fechados.
A discussão em torno do trabalho da CEI tomou parte da sessão da Câmara, adiantada para ontem devido ao feriado de hoje. O vereador Moysés Leônidas (PDT) acredita ser ‘‘deselegante’’ discutir os trabalhos da comissão na ausência de Vedoato. ‘‘Estive com o Flávio na Europa e ele me disse que quando retornar, vai reassumir a presidência da comissão’’, afirma. ‘‘Todo o trabalho que o Tercílio está fazendo hoje não vai ter validade porque o Flávio volta amanh㒒, completa.
Leônidas critica ainda as especulações de que Vedoato deveria renunciar ao cargo por estar envolvido no caso. Salvador Francisco (PSDB) responde: ‘‘Nenhum vereador que indicou nomes para a Comurb deveria participar da comissão. Eu me sinto à vontado para dizer que não indiquei ninguém’’.
O vereador Tercílio Turini argumenta que o trabalho não poderia ficar parado durante a viagem de Vedoato e que acatará o que as lideranças da casa decidirem. ‘‘Meu cargo está à disposição’’, resume. Turini ressalta ainda que ninguém está acusando Vedoato. Ele será convocado a depor porque seu assessor admitiu em depoimento ao promotor Galatti ter sido responsável pela contratações de três funcionários fantasmas junto à Comurb. O caso das 212 contratações irregulares feitas no ano passado está sendo apuradas também pela Justiça.

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